segunda-feira, 30 de abril de 2012

"I Congresso da Família " em Colina Azul


 Por: André Michel dos Santos

Vivemos em uma sociedade contemporânea perpassada pela revolução do conhecimento, da informação e de novas tecnologias. Ao mesmo tempo ironicamente, presenciamos o crescente processo de desigualdade social, o que acaba repercutindo diretamente na base familiar.
A família da atualidade, não é nem um pouco parecida com aquela que conhecemos do século passado, composta de pai, mãe e filhos, onde cada um desses membros tinha os seus papéis bem definidos. Encontramos em alguns casos a inversão de tudo, que até então conhecíamos, de valores, de funções, ou seja, onde antigamente se constituía como o papel do pai, ser chefe de família e prover o sustento da casa, hoje acaba ficando em muitos casos, a cargo dos filhos, especialmente aqueles “menores” e “bonitinhos”, pois estes conseguem comover mais fácil as pessoas e conseguir uns trocados nas sinaleiras ao final do dia. Não vou aqui me deter em explicar quais seriam os motivos que levariam essas famílias a chegarem nesta condição social.
E, é este um dos contextos, onde a escola deve intervir, ou seja, não é permissivo e nem coerente, que um pai que em toda a sua vida trabalhou, tenha que ser sustentado por seus filhos, e pior, pelas crianças. A escola tem um importante papel de não só propiciar formação para a cidadania às crianças e adolescentes, como também atingir as suas próprias famílias. inclusão.
O setor educacional deve estar atento à realidade social vivenciada pelo aluno, e deve usar de estratégias e instrumentos que possam de alguma forma apontar caminhos para que essas realidades sociais sejam superadas pelas famílias, as quais se encontram em situação de vulnerabilidade social.
Refiro-me aqui aquele velho ditado “Não se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar”, ou seja, possibilitar de alguma forma, através de projetos sociais, de um trabalho sistemático, de inserção social, de grupos com as famílias, dentre outros, um espaço, onde essas famílias possam se sentir capazes e fortalecidas a ponto de vislumbrar uma outra sociedade, onde seja possível a sua inclusão.
 
Deste modo, percebe-se que a família nunca esteve tão vulnerável às emergentes problemáticas sociais enfrentadas no seu cotidiano, incumbindo assim, aos trabalhadores da educação, a tarefa de propiciar condições de formação para a cidadania, de autonomia, de acesso e garantia aos direitos sociais, resultantes do processo de oportunidade, ensino-aprendizagem, reflexão e conscientização das famílias envolvidas.

Sobre o AUTOR:
Bacharel em Serviço Social - UNIFRA. Pós-Graduando em Gestão Educacional - UFSM; Assistente Social da Rede Marista de Educação e Solidariedade do Estado do Rio Grande do Sul.

"Viva Gonzaga" em Patamares


“É bom... e agora tem! ” Wagner “atira” várias vezes na candidatura de Pelegrino



Por Patrícia Bernardes

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “Cadê a oposição que sonhávamos desde  1980 , após o manifesto histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) ,que era formado de trabalhadores e  deu origem ao partido?”

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “ Cadê o padrão de oposição que apoiava a Segurança Pública do Estado e a Educação?”

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “ Cadê os alunos contentes e os professores satisfeitos que ‘ilustram’ as propagandas do Governo do Estado?”

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “Cadê o policiamento ostensivo, os agentes penitenciários devidamente treinados e as delegacias e presídios devidamente equipados para ressocializar cerca de oito mil de presos (interior e capital)?”

Para o advogado Davi Pedreira, coordenador da Pastoral Carcerária na Bahia (2005), a sociedade não tem encarado o problema de forma responsável. Ele lembra que 45% da população carcerária na Bahia estão em cadeias públicas, chegando-se ao extremo de, em muitos casos, acabarem cumprindo a pena ali mesmo. São celas construídas geralmente para abrigar 20 ou 25 presos e estão com 100 a 120 pessoas. Existem situações que, quando sai a condenação, a pena já foi praticamente cumprida no regime de prisão provisória ou já está quase prescrita.

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “Cadê o apoio do PT no combate ao Tráfico de Drogas e aos inúmeros homicídios/genocídio da População Negra, Quilombola e Indígena?”

Setenta fazendas foram invadidas pela Tribo Pataxó no mês de Abril (2012), irregularidades nas negociações  de apoio da comunidade do Quilombo dos Macacos ,  a cada 6 min 1 jovem negro é morto na Bahia por grupos de extermínio “alocados” nas comunidades periféricas .

Quem transita pela cidade de Salvador ou visita os municípios que compõe o estado da Bahia se pergunta: “Cadê o apoio do PT no combate a erradicação do analfabetismo na Bahia e o apoio da APLB que elegeu o mesmo (Jaques Wagner) em sua caminhada eleitoral?”  

Os Professores da Rede Estadual de Ensino da Bahia acordaram hoje com seus “pontos morais” cortados no Banco do Brasil às vésperas do 1° de Maio (Dia do Trabalhador)

“É bom... e agora tem!”, vários questionamentos para os publicitários responsáveis pela candidatura de Nelson Pelegrino responder a população de Salvador  como será possível solucionar a hipocrisia pré – eleitoral já instalada na cidade de Salvador tendo como “pano de fundo” o seu próprio “padrinho” eleitoral.

Que bom que sou jornalista autônoma e posso escrever tudo isso livremente em vez de "fechar os olhos" aos próximos meses de 2012 .Minha militância reside na coerência da implantação de políticas públicas para meu estado. Eu faço oposição a tudo que é irregular, com discurso patético e sem ações afirmativas que geram bons frutos ao meu estado

Referências:

Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia  (IFOPEN )
Secretaria de Justiça Cidadania e Direitos Humanos da Bahia (SJCDH)
Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP)
Secretaria de Educação do Estado da Bahia  (SEC)
Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJA)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Casar Pra Quê?" estréia em Salvador



Após 4 anos de sucesso, o espetáculo CASAR PRA QUÊ? Chega a Salvador!

Quem  dá o tom da comédia, é nada mais, nada menos, que ERI JOHSON.
Dividir a vida com alguém não é tarefa nada fácil, mas pode ser muito divertido, principalmente quando marido e mulher vivem um descompasso entre aquilo que pensam e o que querem. A peça Casar pra quê? trata com muito bom humor dessas diferenças vividas dentro de um casamento em que, mesmo com tantas arestas, é feito de muito amor.
Em cartaz desde 2007, o espetáculo já foi assistido por mais de 300 mil espectadores.

A peça "Casar pra quê?" é uma comédia romântica que nasceu da vontade do ator e autor Alessandro Anes de levar para os palcos um espetáculo onde a comunicação com a platéia fosse feita de maneira intimista e divertida. Assim, começou a observar trechos de conversas de bar, papos pelos corredores, e foi colecionando pérolas do complicado relacionamento entre homens e mulheres. Fez então uma seleção do que considerou o mais absurdo, o mais engraçado e quando viu, tinha pronta a história de um casal que representa todos os outros: ela vendo a vida de um jeito que para ele é totalmente maluco e ele querendo curtir de uma forma que para ela é inadmissível! E o mais louco de tudo: ela é louquinha por ele, e ele não vive sem ela!
Ela gosta de ir ao shopping, falar horas com as amigas no telefone e não perde um capítulo da novela. Ele não dispensa um futebol com a galera, uma cerveja gelada e claro, adora falar mal da sogra! Situações como essas fazem parte da vida de todo casal, e é mostrada por esses dois jovens - hilário casal. O que é mais incrível é que esses dois não se largam.
Assim, "Casar pra quê?" chega aos palcos mostrando e comentando com a platéia, as delícias e os horrores de um casamento feliz – com muito bom-humor!


Texto: Alessandro Anes
Elenco: Alessandro Anes e Ana Teresa Welerson
Direção: Eri Johnson
Produção: Rodrigo Cardoso
Genero: Comédia Romântica
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Realização e Prdução Local : Marlucia Sie Produções Artísticas


Serviço

Onde? Teatro Sesc Casa do Comércio
Dias? 18,19 e 20 de maio
Horário? Sexta e Sábado ás 21h00 e Domingo ás 20h00
Informações: 71 3273 8543
Valores? Inteira : R$ 60,00 e Meia R$ 3O,00
Ingressos a venda: Bilheteria do teatro Sesc Casa do Comércio, balcões da TICKETMIX e YABATUR. 


Enviador por Marlucia Sie  (Produção)

"Iauretê" chega ao Teatro Gamboa Nova



Grupo de Teatro Palmares Iñaron e Oficina de Investigação Musical
Apresentam
IAURETÊ
Quando: 03, 10, 17, 24 e 31 de Maio de 2012
Sempre às Quintas-Feiras, 20h.
Local: Teatro Gamboa Nova, Rua Gamboa de Cima, nº3
40060-008 Salvador, BA
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

O espetáculo IAURETÊ marca os 33 anos do Grupo de Teatro Palmares Iñaron. A peça é uma livre inspiração do conto Meu Tio O Iauaretê de Guimarães Rosa e da obra literária Maíra de Darcy Ribeiro, além de depoimentos verídicos registrados na I Assembléia de Índios realizada em Merurí – Mato Grosso em 1977 e cruza as histórias de dois personagens: Oxim um místico caboclo onceiro, interpretado por Victor Kizza (Barrela, Uma Mulher Vestida de Sol) e Mehín Índio que ganha vida com a interpretação de Maria Janaína (Água que Lava Alma) e revela a ancestralidade e os impactos da colonização nos povos indígenas brasileiros. IAURETÊ é adaptado e dirigido por Lia Spósito (Macunaíma, Cangaço, O Trem Baiano) e ainda conta com a direção musical de Bira Reis e a orientação artística de Antônio Godi. O espetáculo foi premiado no FIT – Festival Nacional Ipitanga de Teatro na edição 2010 com o Troféu de Melhor Ator para Victor Kizza e se destacou por representar a Bahia e o nordeste no Festival de Curitiba 2011.
IAURETÊ estreou em outubro de 2010 e desde então vem realizando temporadas de apresentações e participando de festivais de arte e cultura na Bahia e no Brasil e já atingiu uma estimativa de público que ultrapassa a faixa de 5.000 expectadores. A peça aborda as questões ancestrais e atuais dos povos indígenas do Brasil e revela uma possibilidade determinante de se refletir sobre estas questões no âmbito da arte, cultura e produção de conhecimento. Assim, o espetáculo IAURETÊ visa contribuir com a difusão e aplicação da Lei 11.645 – esta que é uma lei federal de educação, sancionada em 2008 e obriga as unidades de ensino, públicas e privadas, a programarem em seus currículos o estudo da África, dos afro-brasileiros e dos povos indígenas no Brasil. A peça já estabelece estratégias de alcançar o público da comunidade escolar baiana, desde a sua estréia e indica uma média de 2.500 jovens estudantes e educadores da rede pública de ensino de Salvador e Lauro de Freitas/BA que assistiram ao espetáculo IAURETÊ e puderam dividir com a equipe da peça seus anseios e reflexões acerca do tema que inspira este trabalho.

Sobre o Palmares Iñaron

O Grupo de Teatro Palmares Iñaron foi fundado em 1976 por Antônio Godi e Lia Spósito, juntamente com Kal dos Santos e Ana Sacramento e cultiva, ao longo da sua trajetória, uma proposta de trabalho voltada para as questões étnico-sociais e culturais do afro-brasileiro, dos povos indígenas e do sertanejo, baseando-se na importância de se refletir sobre o convívio na diferença, sobre como pensar a diferença entre os povos, culturas, tipos físicos e classes sociais, compreendendo-a e vivenciando-a com respeito.
O nome do grupo relaciona palavras ligadas às culturas; negra e indígena e trata-se, portanto, de valorizar essas duas culturas. Palmares Iñaron significa então, Palmares Ensandecido, atribuindo homenagem à história de Zumbi e fazendo referência à terminologia de origem indígena Iñaron - que designa um estado de perturbação mental e espiritual, nos índios, por conta das influências da colonização capitalista. O trabalho do Palmares Iñaron parte de um estudo antropológico associado a uma pesquisa estético-teatral que determina uma maneira própria para interpretar as realidades diversas, desvendadas pelo olhar apurado de quem quer descobrir personagens, fatos e situações.
O trabalho do grupo desenvolve uma linguagem característica, inspirada na essência do povo brasileiro com suas raízes e origens que constituem a nossa formação cultural. Em sua trajetória o Grupo de Teatro Palmares Iñaron montou importantes espetáculos, a saber: Estórias Brasileiras (1977) e Usura Corporation (1978), este que foi indicado para o Prêmio Martin Gonçalves de Teatro, à época, nas categorias de Melhor Texto para Antônio Godi e Melhor Atriz para Lia Spósito, além da realização da Leitura Dramática de Documentos Negros (Revolta de Búzios) em uma das reuniões que marcavam a constituição do Movimento Negro Unificado em 1979, no antigo Espaço Sucupira, onde hoje funciona a Prefeitura de Salvador.

Ficha Técnica Completa: IAURETÊ
Realização: Palmares Iñaron e Oficina de Investigação Musical O.I.M
Texto: IAURETÊ (Adaptação das obras; Meu Tio O Iauaretê de Guimarães Rosa e Maíra de Darcy Ribeiro)
Adaptação e Direção: Lia Spósito
Elenco: Maria Janaina e Victor Kizza
Orientação Artística: Antônio Godi
Direção Musical e Multimídia: Bira Reis
Percussão: Alessandro Mônaco, Marquinhos Black
Produção Executiva: Grupo de Teatro Palmares Iñaron
Iluminação: Everton Machado
Assistente Técnico: Nildo Brito
Fotografia: Aldren Lincoln 
Programação Visual: Letícia Martins

Enviado por : Victor Kizza
(71) 9188-3292 / (71) 8676-9388
victorkizza@gmail.com
www.palmaresinaron.blogspot.com

domingo, 22 de abril de 2012

STAEL KYANDA MACHADO - Psicanalista Clínica


ATENDE - Crianças, Adolescentes, Adultos e terceira idade.
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Curso de Yorùbá em Salvador




Aulas de YORÙBÁ às quartas e sextas e no sábado às 17:00. LIGUE ANTES E MARQUE. Venha assistir uma aula sem compromisso. Professores afro religiosos e nativos no Centro de Cultura e Idiomas Mário Gusmão Tel.: 3497-2845 / 8848-4715 / 92383001


Os cursos têm responsabilidade social, com professores voluntários, e preço popular (R$60 Reais mensais incluindo o material didático) com o objetivo de ate...nder da melhor forma, às pessoas que acreditam em uma proposta de educação como processo de transformação coletiva.

As inscrições podem ser feitas de segunda à sexta das 14:00 às 18:30 h,
ou por e-mail: cursomaguma@hotmail.com

Edf. Themis 2º andar – sala 215, Pça da Sé, nº398 – Centro Histórico, Salvador – Ba.

“Todo dia... Era dia de índio...” na Bahia



A Nova Política de Regulamentação de Terras no Brasil através de Ocupações Territoriais

“Todo dia... Era dia de índio...”

Baby Consuelo

por Patrícia Bernardes


A Bahia completa neste sábado (21/04) cerca de 70 ocupações indígenas em fazendas no interior do estado. Analisar as invasões territoriais que se tornaram rotineiras nos latifúndios baianos tem servido de “gasolina” político partidário ao longo da história política do Brasil. Ações públicas de “excessos” da força policial nas fronteiras e os “desgastes” causados pelo uso de projetos de lei e medidas provisórias têm levado aos veículos de comunicação verdadeiras imagens sensacionalistas e, por vezes, contraditória a história contada às crianças em idade escolar. Por “coincidência programada”, o número de homicídios, estupros e ocorrências policiais em acampamentos indígenas se tornou recorrente no mês de abril – mês supostamente voltado às ações de protesto e reivindicações ao cumprimento de políticas públicas voltadas a população indígena.

Segundo publicação de entrevista na revista eletrônica “Blogueiras Feministas”, é no estado da Bahia que os grileiros estão ameaçando a integridade física e psicológica das mulheres indígenas, como estratégia de intimidação num conflito fundiário que dura praticamente 30 anos. Quem denuncia essa ameaça é a indígena Pataxó Hãhãhãe Olinda Muniz Wanderley, sobrinha do cacique Nailton Muniz Pataxó, da comunidade Pataxó Hã-Hã-Hãe, que aguarda o julgamento da Ação de Nulidade de Títulos da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu.

Diante deste relato, se voltar aos tempos do suposto “descobrimento”, percebemos o quão grande é o peso da inversão de valores políticos morais dados como herança aos índios e índias já presentes a “Terra Brasil”. Mapeamentos de território indígena conduzidos de forma “obscura” traziam a mídia dados estatísticos que nunca foram questionados, até a chegada dos planos políticos de Combate a Pobreza e a Miserabilidade nas regiões que, por coincidência, também perpassa pela população negra e indígena.

Em seu artigo “Uma Etnologia dos ‘Índios Misturados’” (OLIVEIRA, 1999) levantou dados importantes sobre os chamados “índios misturados”, nomenclatura utilizada por presidentes na época. Aspectos que correlacionam hábitos da época que poderiam ser transformados em legislação para um convívio pacífico entre o, até então, “homem branco” e o índio. De uma população indígena que reunia cerca de um milhão de descendentes diretos (IBGE 2012), atualmente o Brasil vivencia o a ausência ética do comprimento dessa população que reunia 1.300 línguas diferentes , 1.400 tribos e, mesmo assim , não dispõe até hoje do título de “donos da terra”.

Na Bahia, além dos embates nos acordos públicos assinados nas mesas de negociação entre pastorais, gestores federais, representantes da FUNAI e lideranças de tribo, os mesmos não são levados adiante. Desmandos e “desmanches” dos gestores municipais e federais assustam a população e são alimentados pela mídia local e internacional.


"Feminismo Negro" é discutido em Salvador


Por Jaqueline Lima Santos

O movimento de mulheres negras no Brasil tem início no período colonial, quando as mesmas criavam estratégias de sobrevivência ao regime escravocrata e lideravam diversos movimentos de libertação do povo negro, como as rebeliões nas senzalas, os cuidados espirituais, as fugas, a formação dos quilombos, a compra de alforrias, o trabalho na cidade e a estruturação de suas famílias.
Na segunda metade do século XX, com a intensificação dos movimentos feministas pela ampliação e reconhecimento dos direitos das mulheres, as mulheres negras encontravam dificuldades de incluir sua pauta política nestes espaços que, liderado pelas brancas que tinham como referência o feminismo europeu e realizavam práticas racistas, se negavam a reconhecer as diferenças intra-gênero e tratavam a categoria mulher como homogênea e universal. Esta prática de anular a existência da mulher negra como grupo social com identidade e necessidades peculiares se estende até os dias de hoje, porém com menor impacto, pois desde o final dos anos 90 as organizações feministas tem avançado nessas discussões e assumido as reivindicações desses segmentos.
Na década de 70 surgem novos movimentos sociais negros, como o Movimento Negro Unificado (MNU), dentro dos quais as mulheres negras também tinham dificuldades em discutir as relações de gênero e realizavam enfrentamento constante contra as ações machistas. Porém, foi no seio do movimento negro que os movimentos de mulheres negras do século XX tiveram possibilidade de se articular e incluir sua pauta política. Lélia Gonzales em seu texto “ Por um Feminismo Afro-Latino-Americano” afirma que a conscientização das mulheres negras em relação as opressões sociais ocorre antes de qualquer coisa pela via racial, e que as raízes e experiência histórico e cultural comum entre nós e os homens negros acabam por fortalecer nosso laços políticos, “(...) foi dentro da comunidade escravizada que se desenvolveram formas político-culturais de resistência que hoje nos permitem continuar uma luta plurissecular de libertação”.
Nesse contexto, começam a aparecer algumas organizações negras femininas com o objetivo de dar voz e articular politicamente as mulheres negras. As organizações de mulheres negras surgem em todo o mundo, e são responsáveis por criar aquilo que chamamos de feminismo negro.
O feminismo negro traz para o centro do debate a articulação das categorias raça, gênero e classe que atuam como operadores ideológicos na configuração da realidade da mulher negra. Além disso ele cria um elo de solidariedade internacional entre as mulheres negras, que embora estejam inseridas em diferentes lugares e contextos sociais no mundo, são atingidas por formas de opressões comuns: raça, gênero e classe, e se encontram na base da pirâmide social.
As mulheres negras, através da perspectiva do feminismo negro, conquistaram alguns espaços e direitos. Mesmo com os avanços, o cenário atual ainda não nos é favorável e encontramos muitos desafios para superar o racismo, machismo, sexismo e desigualdades sociais. Além disso, estamos encontrando problemas de organização dentro do próprio movimento negro.
O debate em torno do feminismo negro nos permitiu fazer uma discussão qualificada no que se refere a realidade da população negra, a estratificação social e as relações de gênero. Para fazer essas discussões passamos por um processo de formação com o objetivo de entender a economia, organização do Estado, relações de poder, ideologia, opressões simbólicas, entre outros temas fundamentais. A mulher negra teve e tem um papel fundamental nas intervenções políticas e produção de conteúdo no campo das relações raciais e de gênero, mas a realidade social a qual esta submetida acaba por tira-la de diversos campos de atuação.
A responsabilidade com a chefia do lar, com os filhos e filhas, e com o trabalho faz com que muitas dessas mulheres se ausentem da atuação nos movimentos sociais, o que gera um movimento de indas e vindas, de saída e de retorno. Esse movimento dificilmente acontece com os homens, o que nos mostra como raça e gênero como categorias articuladas criam um campo de exclusão até mesmo dentro dos próprias organizações.
Essa realidade enfrentada pelas mulheres negras atingiu a maior parte das organizações existentes, e acredito que, mesmo que muitas dessas organizações tenham avançado nos utimos anos, a nossa retirada dos momentos da articulação política dificultou nosso constante processo de formação e logo a compreensão dos homens sobre as relações de gênero.
Nosso afastamento desqualificou a discussão articulada entre raça, gênero e classe dentro de organizações tradicionais do movimento negro. O movimento de retorno de nós mulheres negras que acontece constantemente é atingido pelo mal do machismo e sexismo que muitas vezes nos faz cair em um erro estratégico. E qual seria este erro? Quando nos deparamos com as ações machistas de nossos companheiros acabamos por dispor todas as nossas energias para discutir as relações de gênero por si só, sem articulá-la transversalmente com todas as questões que nos atingem cotidianamente, o que as vezes torna nossas discussões limitadas e sem grande impacto político.
Um exemplo disso é quando passamos horas em discussões reivindicando espaços para nós mulheres, e essas discussões são tão desgastantes que acabamos não tendo tempo para nos preparar para ocupar esses espaços. E porque não nos preparamos? Porque dedicamos muito tempo para discutir as relações de gênero em si e pouco ou nenhum tempo para discutir gênero transversalmente.
E o que seria discutir gênero transversalmente? Se gênero e raça são categorias estruturantes e nos condicionam a tal realidade de exclusão, vamos manipular essas categorias em nosso favor nas discussões sobre economia, reparações, políticas públicas, Estado, poder, ideologia, representação simbólica e etc, e começar a desmantelar essas estruturas. Assim, construímos uma discussão qualificada como nos ensinou o feminismo negro e retomamos os espaços de liderança como já fazemos desde o Brasil colonial.
Se assim fizermos, não precisaremos reivindicar nosso espaço pelo grito, mas pelo impacto político de nossas discussões, para os quais estamos bem preparadas. Somente nós poderemos fazer nossos companheiros enxergar as dimensões das relações de gênero dentro do movimento negro, mas para isso precisamos discutir essas categoria como estruturante assim como fazemos com o racismo.

A formação nesse momento seria a nossa principal ferramenta.

Fonte: O Transatlântico do Conhecimento (Historiadora Diana Costa)