terça-feira, 20 de setembro de 2011

III Política das Panelas de Desigualdade em Salvador




A Conferência das Panelas - "Panela da Desigualdade" em Salvador - Nota de Repúdio


Quando nascemos escutamos nossas mães negras trabalhar palavras afirmativas para a construção do nosso caráter. O tempo é "madrasto" e transformador porém é determinante no tal "débito histórico" tão citado e argumentado pelo país afora. Os palanques estão cheios e as casas estam desabando.

Como pleitear melhorias públicas para as mulheres negras militantes de Salvador se nossos gestores nos tratam como " cozinheiras de tecido estampado" que desfilam nos corredores dos órgãos públicos? Retornemos no tempo para entendermos a construção da III Conferência Municipal de Política para Mulheres em Salvador (CMPM).

Como construir as deliberações de projetos reais para as comunidades de mulheres negras militantes , partindo do princípio de que nossa gestora municipal Ariane Carla da Superintendência de Política para Mulheres (SPM) não é militante e tampouco integrada as causas de gênero e raça ?

O termo "peregrinação" é o termo exato para definir as dificuldades para a efetivação de um evento como esse : a III Conferência Municipal de Política para Mulheres em Salvador.

Peregrinação regada a reuniões exaustivas para "costurar" estratégias relevantes a construção de pré-conferências para empoderar e esclarecer as mulheres dentro de suas comunidades.

Peregrinação para compor " a golpes de foice" a Comissão de Coordenação Executiva da III CMPM para que ludicamente fosse acompanhada a parte operacional da construção da Conferência Municipal de Mulheres na capital baiana.

"Panelas" a parte,o tão "articulado" dia chegou e todas as militantes se deslocaram para o Hotel Sol Bahia (Patamares).Antecedendo a "panela de pressão", o credenciamento foi o "tempero" a parte neste prato servido "frio" às militantes mulheres militantes da cidade de Salvador.

Voltanto à "cultura regional dos brindes" presente no íntimo do povo baiano, o Centro Cultural da Barroquinha de longe mais parecia o dia de entrega dos abadás de blocos populares. Mulheres esclarecidas e afirmando ter todos os seus "títulos acadêmicos", mais pareciam "feras ávidas" por um kit do evento com utensílios inexpressivos para o "propósito real" do evento.

Quando se faz extinta qualquer problematização para chegar ao local do evento, nos deparamos com a "pressão" da demagogia gestora no local. Toda "panela" tem hora para ser colocada no "fogo", e , em se tratando de Conferência Municipal em Salvador, todos os "pratos" foram colocados sem estar devidamente "preparados" para ser colocados " à mesa".

Militantes dos mais diversos segmentos e bairros de Salvador , assitiram as suas causas públicas/políticas ser "escaldadas" pelo descaso e ausência da gestora da SPM, órgão supremo delegado para projetar e requerer recursos financeiros junto a Casa Civil para a realização da III CMPM.

O tão sonhado "destaque" , termo utilizado em votação e alteração para textos de regimento interno de uma ação ,audiência e/ou conferência pública, desta vez vai para a gestora da SPM.

Quando voltamos a nossas " raízes maternas" entendemos os motivos exaustivos de nossas mulheres aconselharem seus filhos para o caminho do bem e o caminho permeado pelo caráter e a determinação por um foco e/ou meta no decorrer de suas vidas.

O que dizer e o que pensar de uma gestora assim? Como se é permitido uma mulher estar gestando um órgão público de forma tão desastrosa e inábil como faz categoricamente a Superintendente da SPM?

Que "políticas" verdadeiramente "públicas" são aplicadas por nossos superiores ao ponto de compactuar com uma mulher que envergonha a sua classe de forma espontânea e aberta à aqueles que transitam no cenário do movimento de mulheres em Salvador?

O que pensar? O que gerir? A quem recorrer? A quem suplicar mudanças?

Foram liberados R$80 mil para a execução da III CMPM e as mulheres presentes se depararam com a exaustiva "batalha burocrática" para minimizar os problemas no local graças a determinação de mulheres como Eliana Boa Morte (representante e militante negra da SPM) e DrªCélia Sacramento ( presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - CMM).

A cada sinal de "explosão" das pequenas "panelas de pressão" nas dependências do Hotel Sol Bahia , estas mulheres utilizavam a " boca de ferro" para encaminhamentos e novos direcionamentos para que não se chegasse aos caos completo.

Nestes dois dias de Conferência Municipal em Salvador , a tão sonhada "salada da politicagem" não foi servida à mesa das militantes presentes. O "prato principal" foi a união de forças e notas de repúdio a "gestão matrix" de Ariane Carla de Oliveira Pereira.

Até quando conviveremos com esse "cardápio indigesto" aos olhos das mulheres militantes da Bahia?

escrito por Patrícia Bernardes
( Jornalista,Gestora Social e Secretária Geral do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Salvador)

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