sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Projeto Panáfricas redescobre o continente negro



O Projeto Panáfricas está na África registrando sons e imagens do continente de onde saíram para o mundo milhões de seres humanos, com sua rica cultura, arte, ciência e forma de vida. O material colhido na viagem à Nigéria, Gana e África do Sul - primeira etapa do projeto – integrará uma série de televisão sobre o panafricanismo e a diáspora africana.

Essa descoberta das origens dos afrodescendentes e sua luta pela cidadania estão sendo conduzido pelo historiador cubano, Carlos Moore (www.drcarlosmoore.com), grande conhecedor da trajetória de ícones da luta negra pelo mundo, com os quais conviveu em diferentes países, como Fela Kuti, Cheikh Anta Diop, Aimé Cesaire, Malcolm X, entre outros. O ativista Carlos Moore está retornando à África após mais de duas décadas, para fazer o lançamento da versão africana do livro: “Fela: this bitch of the life”, biografia de Fela Kuti, lançada originalmente em 1982 e que em breve terá sua versão em português. Trata-se da primeira biografia escrita sobre um músico negro no mundo.

A equipe do Panáfricas é formada pelo publicitário Paulo Rogério Nunes, produtor executivo do Projeto, e pelos jornalistas André Santana, Lucas Santana e Mateus Damasceno, que também é cineasta e está sendo responsável pelas imagens. Paulo Rogério e André Santana são diretores da série de TV Panáfricas e integra o Instituto Mídia Étnica (www.midiaetnica.org), organização social que há cinco anos vem realizando projetos sobre mídia, tecnologia e relações étnicas, utilizando, inclusive, o audiovisual. Alguns vídeos produzidos pelo Instituto Mídia Étnica podem ser conferidos no Portal: www.correionago.com.br

Mateus Damasceno e Lucas Santana fazem parte da produtora baiana Caranguejeira, que tem experiência na produção de cinema e vídeo, com produtos premiados como o documentário: Bolívia, para além de Evo, fruto da experiência dos profissionais no país latino-americano. Mateus é o diretor de fotografia da serie Panáfricas e Lucas, o técnico de áudio e som direto.

A entrada na África aconteceu pela Nigéria, país de 140 milhões de habitantes. A pauta principal no país foi o legado político e musical de Fela Kuti, criador do Afrobeat e principal referência para os nigerianos. A equipe visitou as cidades de Abuja, capital da Nigéria, Abeokuta, onde Fela Kuti nasceu e Lagos, a segunda maior cidade da África e o maior contigente negro do mundo. Foi em Lagos onde Fela criou uma comunidade chamada Kalakuta, que propunha a liberdade e solidariedade entre seus habitantes. Em Lagos também está o Africa Shrine, casa de show que se eternizou na história da música pelas apresentações de Fela e hoje é conduzida por seus filhos, a produtora Yeni e o músico Femi Kuti.

O Panáfricas entrevistou amigos, músicos e familiares de Fela, cinco dos seus filhos e duas das suas ex-esposas. Além de registrar o cotidiano de Lagos, com sua tumultuada rotina de megalópoles e sua flagrante desigualdade social. Neste momento a equipe está em Accra, capital de Gana, primeira nação africana a ser tornar independente do colonialismo europeu, em 1957. A pauta principal em Gana será a importância de Kwuame Nkrumah, herói da independência e primeiro presidente do país livre, e W.E.B. Du Bois, intelectual e ativista afro-americano, que escolheu viver em Gana. Ambos são considerados os pais do panafricanismo, pela contribuição ideológica e prática na luta pela soberania africana e união entre as nações africanas e os países da diáspora.

Em Gana, além da capital, a equipe visitará as cidades de Kumasi, Cape Coast, no interior do país. A última parada dessa primeira etapa do Projeto Panáfricas será na África do Sul, país que ficou marcado pelo regime segregacionista de apartheid, cujas leis estabeleciam as diferentes oportunidades e direitos para entre brancos e negros, até o início da década 1990. No país que sediou a última Copa do Mundo, serão enfocadas as contribuições de ativistas como Steve Biko e Nelson Mandela, através de entrevistas e registros nas cidades de Joanesburgo, Cidade do Cabo e Pretoria.

A viagem começou no dia 08 de outubro e o retorno ao Brasil será no dia 20 de novembro, dia nacional da consciência negra. O projeto pretende filmar também em outros países africanos e da diáspora negra como Etiópia, Martinica, Jamaica e Índia.

Mais informações: www.panafricas.blogspot.com

Texto: André Luis Santana, jornalista e diretor de comunicação do Instituto Mídia Étnica

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