segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Aborto Verde das Eleições 2010


Escrito por Patrícia Bernardes


Chegada a hora... o esperado aconteceu! O Partido Verde foi “abortado” das Eleições para Presidente do Brasil.O que fazer? O que pensar? O que observar?Vamos lá...


Segundo o Senso Demográfico do IBGE em 2010,cerca de 19% da população brasileira (36.480.000 de habitantes) são crentes numa esfera total de 192 milhões de habitantes. Partindo do princípio de que é um n° expressivo de pessoas que afirmam crê em Deus, por que Marina Silva foi “abortada” e/ou retirada do segundo turno? É justamente sobre isso que iremos conversar neste artigo.

Com um apoio financeiro significativo, Marina Silva não pôde ser exposta a colocações de falta de recursos para divulgação da sua Campanha Eleitoral 2010. Seu vice na Chapa do Partido Verde (PV) é o conhecido “bilionário verde” Guilherme Leal. Pois então... Qual foi o motivo do “aborto espontâneo ” da candidata “politicamente correta” em aspectos morais e ambientais? A razão foi justamente o julgamento coletivo de um país que apostava num futuro ético e sustentável ecologicamente que representa uma minoria esclarecida e com conduta religiosa radical.Apenas 20% dos votos válidos.

O Brasil não é constituído de um povo com interesses coletivos. O Brasil é constituído de um povo com interesses particulares. Nossas crenças, nossos ideais, nossas reivindicações partem de um indivíduo para o todo. Sendo assim, só são divulgadas e apoiadas estruturas políticas que beneficiem do singular para o plural.

Inocência da Candidata Marina Silva? Fica claro que sim.

Se lembrarmos dos números estimados pelo Senso do IBGE dos evangélicos, verificaremos que nem os ditos “ seus eleitores” a apoiaram. O motivo disso? A base da candidatura de Marina era voltada para uma minoria de “esclarecidos” em sua formação educacional. O povo evangélico é de classe média – baixa ou por vezes até em situação de miserabilidade. Povo Brasileiro este cadastrado e assistido pelo Programa Bolsa Família e outros Programas do Governo Federal há oito anos. Seria a primeira resposta? Vamos em frente... Vamos raciocinando.

Plataformas de discurso com base na relação à moralidade da família brasileira, foram “deletadas” da mente do eleitor na hora da decisão das urnas. Por quê? Somos um povo que aceita “tudo” desde que não vá de encontro a nossa realidade cotidiana estrutural. Quem disse que entre os cristãos não existem homossexuais? Quem disse que entre as famílias brasileiras não há uma prática de controle de natalidade com base nos remédios que provocam o aborto? Quem disse que no Sistema Único de Saúde (SUS) as mulheres que chegam com quadro grave de hemorragia não são ditas como “evangélicas”? Quem disse que estas mulheres não são de classe média também?

O Brasil deixou claro ,nas urnas eleitorais, que a vida privada das famílias só diz respeito a elas mesmas. Planos de Sustentabilidade são até aceitos por muitos brasileiros, porém, as Crenças Religiosas, as Noções Éticas de Conduta Familiar e os Planos de Assistência Financeira oferecidas pelo Governo Federal são fatores decisivos. Somos, ou melhor, estamos um país longe de um êxito em sua estrutura educacional para formação do caráter das famílias brasileiras.

Sendo assim, aspectos público-coletivos como saúde, educação e habitação podem ser até postos como base eleitoral, contudo, questões do íntimo familiar da família brasileira são duramente “abortadas” das mentes na hora da escolha de seu representante político independente da sua postura ética-moral-religiosa.

Que venham os novos gestores para 2011. Que venham os mesmos discursos nutridos da nossa “esperança” lúdica em um Brasil melhor. Uma fala hipócrita em seus ideais faz grandes líderes perderem seus mandatos. Usar “jargões” de cunho emocional e religioso já ficou evidente que é rejeitado pelas famílias do nosso país.

Um comentário:

Lidiane Ferreira disse...

Oi, Paty!
Gostei muito do seu texto.
Minhas frases favoritas, que achei o máximo foram: "O Brasil não é constituído de um povo com interesses coletivos. O Brasil é constituído de um povo com interesses particulares."
De fato, são esses interesses particulares que falam mais alto nas eleições e na política como um todo. E é isso que explica a pobreza e miséria de muitos em nosso país.
Beijo!