domingo, 5 de setembro de 2010

Quem é Patrícia Bernardes? Do mimeógrafo ao computador


Pois é...Se Salvador começou a fazer esta pergunta, é sinal de que eu comecei a "aparecer" mais do que deveria (rs). Quando eu nasci meu pai virou para minha mãe e disse: " - Dora (apelido de Maria Auxiliadora). Se essa menina esperou você tomar café pra depois nascer é sinal de que ela não vai nos dar trabalho. Se você não sentiu dor quando ela nasceu com 45 cm , 5kg e de parto normal...Ela não vai nos dar trabalho. Vai 'escorrer como quiabo' em tudo na vida dela."
Pois bem...Foi isso mesmo!As palavras do meu pai foram ano a ano se cumprindo.
Cheguei ao mundo na Maternidade da Cruz Vermelha(Ssa) e desde então só tenho feito isso: CRESCER...rs. Ano a ano procurei sempre estar livre de qualquer '"amarra" e busquei "construir" meu próprio espaço. Estudei em escolas religiosas até antes mesmo do falecimento da minha mãe em 1988;um capítulo a parte em minha vida.
Maria Auxiliadora Bernardes, a digníssima minha mãe, marcou o seu tempo desde que chegou ao mundo. De personalidade forte, entrou na "estrada" pedagógica logo que completou o 2° grau no Instituto Isaías Alves ICEIA ( Barbalho) em Salvador. Naquela época não existia a qualificação superior. O nome dado aos que desejavam uma qualificação melhor no mercado de trabalho era "ADMISSÕES". O então ICEIA era chamado de Instituto Normal da Bahia ; em meados de 1944.
Como toda mulher negra, alta, inteligente e firme em suas ambições , Mª Auxiliadora Bernardes trilhou o seu caminho no Magistério ( Normal Superior) e não parou mais. Ensinou em várias Escolas Públicas e Municipais de Salvador até chegar ao sonho maior...o Curso de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Pós UFBA vocês já imaginam no que se transformou minha mãe não é?(rs). Nossa...Politicamente formada, ideologicamente organizada e com a "feminilidade" a flor da pele... Mª Bernardes conheceu Salvador com todos os seus encantos e axés (rs). Claro como as águas do mar , nem só de estudo vive uma "garota" da época da Programação " A Hora do Brasil" em Salvador.
Filha de um gaúcho alto , negro e rígido com uma descendente de portugueses bem nascida e radical nos valores morais,minha mãe não contou conversa no quesito diversão...rsrsrsr. Conheceu meu pai num Caruru de Cosme e Damião ( aniversário de uma das minhas tias) numa bela noite regada a samba e autores da época de diversos segmentos musicais. Família grande entre primos e tias ...hoje são somente 5 tias com laços de sangue ainda em vida.

O negro alto, funcionário da Petrobrás largou tudo e caiu na estrada das Festas Populares da cidade junto com minha mãe . Do seu primeiro casamento me foram dados 3 irmãos paternos e deste segundo casamento meus pais foram agraciados com 2 filhos. Uma novela...uma comédia...um roteiro de cinema.
Conta a "lenda" da minha avó materna ( já falecida há 8 anos) , que eu fui "feita "nas proximidades do mar de Arembepe e que meu irmão nos Festejos do Momo. (rsrsrsr) Nunca quis tirar essa história a limpo, pois cronologicamente meu irmão nasceu 1° de Janeiro e eu 18 de Maio ...Como diz um bom baianês : " deixa quieto" ...rs.
Quando nasci minha mãe tinha 20 anos de vida e nos deixou na "flor da idade "com apenas 29 anos...numa madrugada de 12 de dezembro de 1988. Eu tinha quase 8 aninhos e meu irmão quase 4 aninhos.Diversidades, dificuldades e aprendizados a partir daí.

A Cultura Familiar é muito importante numa situação como essa...e assim foi feito. Eu e meu irmão fomos criados com " dindas, dindos, tias, tios, vovó e vovô". Alguns afirmam que fomos" estragados" outros dizem que " tudo coopera para o crescimento da alma".
E eu cresci... E sem saber boa parte da história sócio- cultural - religiosa da minha mãe , há quem diga hoje que eu sou a cópia fiel da personalidade dela. Tenho poucas lembranças dela.O cheiro de amendôa e o jeito dela me colocar pra dormir é o que tenho guardado na minha cabeça.
Saí do 2° grau e fui parar na "delícia" de experiência do Magistério do Colégio Estadual Raphael Serravalle (Pituba). Não parei mais...(rs) Com professoras atuantes na área do Ensino Infantil /Fundamental como Rose e Altair ( 1992) saí das salas de aula direto para o "mundo" escolar cheia de sonhos e alusões para formar a conduta ética/educativa de crianças. Tudo ia tranquilo até o meu primeiro aluno com apenas 14 anos aparecer com um revólver na 4ª série do Colégio Estadual Nogueira Passos. Ali eu vi que minha vida como Normalista não seria mais igual.Passei a buscar respostas nos livros e nos gestores educacionais da época. Uma caminhada de leitura e aprendizado diário em vários bairros em que lecionei.
Aos 18 anos, pós formatura, fui para o Base Pré Vestibular e lá conheci o "poder" que um texto pode ter na Tv e no Rádio para mudar vidas. Estudei para História na UFBA e para Jornalismo na FIB e fui aprovada somente em 2004 na FIB.

De 1998 até 2004 não parei ...Escrever,dar aulas e argumentar realidades das comunidades carentes de Salvador era algo que " me seguia" ...rs! Logo na entrada do Curso me deparei com a diversidade da internet com apenas 24 anos de idade.
Fui criada em Cursos de Datilografia, Mimeógrafo e Trabalhos em Cartolina e Papel Pautado...Só aí já explica as crises de choro que tive nos " Laboratórios de Informática" com aulas de Edição de Rádio, Tv , Webdesign, Edição de Textos no Word e Pautas Jornalísticas.
Preciso explicar mais alguma coisa???Não né?!Rs.
O semestre iniciou e eu dei a "sorte " de ser aluna de Rita Maia , Agnes Mariano, Renato, Ana Spamnenberg, Paulo Munhoz, Débora Lopes entre outras "feras" da Comunicação em Jornalismo contemporâneos da Universidade Federal da Bahia.
Atualmente verifico a importância de cada "lágrima" que derramei e cada pauta/texto de sucesso até o meu Trabalho de Conclusão de Curso(Vídeo/Documentário"Liberdade.E agora?.Egressas do Presídio Feminino de Salvador no Mercado de Trabalho).

De 2004 até a data presente ...eu não larguei mais a minha "querida página" do Word e seus aplicativos para escrever meus textos. Confesso que a parte áudio/gráfica do Curso de Jornalismo eu aprendi " apanhando" e com os sermões de meus professores. O Curso de Inglês e Informática não puderam ser realizados na época por conta dos valores " sobrenaturais" cobrados para uma ESTUDANTE / FIES que eu era.
Se como professora eu já amava o 3° setor, como aspirante a jornalista ...fiquei "viciada" em pautas em Ongs, Ocips ou trabalhos educacionais em Blocos Afros de Salvador . Tudo pra mim era pra aprender, fotografar, escrever e divulgar.
Assim...me transformei de Patrícia Santos de Sousa ( Carteira de Identidade) em Patrícia Bernardes. Jornalista, Gestora Social em Ética e Cidadania e quase Pós Graduada em Direitos Humanos e Segurança Pública.

Bairros como Garcia ( Pastoral Carcerária), Tubarão, Fazenda Coutos, Uruguai, São Caetano, Curuzu, Mussurunga, Bairro da Paz , Comércio , Nordeste de Amaralina, Engenho Velho de Brotas , etc... já me deram a alegria de participar das suas atividades sócio/educativas. e auxiliar na formação de jovens e crianças. Jornalismo Cidadão é uma dentre várias paixões da minha vida.
Atualmente estou caminhando a passos lentos e tranquilos nas ações referentes a Igualdade Racial e suas Turbulências Ideológicas no que diz respeito ao conceito de "REPARAÇÃO" .

Há muito a ser feito não só por mim ou para mim. ... mais também para as próximas gerações vindouras da herança trabalhista " escravocrata" liberadas verbalmente e juridicamente aos indivíduos negros em Salvador . Nunca fui almejada por emissoras de Tv e Rádio , contudo sempre estive aberta a proposta ao longo dos meus quase 34 anos de vida.
Sou atuante no Ensino de Ética e Cidadania em comunidades que requerem o meu trabalho na cidade e, desta forma, tento viabilizar o retardamento das estatísticas de violência na malha urbana de Salvador. A palavra empreender sempre fez parte da minha luta diária. Sempre trabalhei pra mim mesma através de indicações sólidas de trabalho de amigos da área de comunicação ao qual expresso a minha confiança.
"Ser ético é ser educado moralmente.Ser cidadão é ter consciência disto."
Patrícia Bernardes (Salvador/Bahia/Brasil).

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