sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Árvore de Mãe Hilda de Jitolu é Cosmo Vivo



Árvore de Mãe Hilda de Jitolu é Cosmo Vivo

( Reflexão de Um Abiã - Sérgio Cumino)

A palavra transforma, reverbera, reproduz, e, sobretudo contempla. Patrícia Bernardes além da intimidade que tem com as palavras. Sabe cortejar os encantos d’alma, que transcende o conceito racional, intelectual, que cada frase carrega em si. Acredito para pessoas especiais Osalá reserve, interpretes especiais, porta vozes do nosso mundo. Arautos do nosso Asé, ou anjos da terra.

O sentimento expressado no texto, não é simplesmente saudosista ou um informativo com bases num release. Vem nele uma substancia de bem aventurança, uma contemplação de uma herança que só pessoas sensíveis poderiam descrever. Subverte os fatos dando vazão a essência, ao movimento de uma energia. E clama que perpetue. E quando lemos seu texto, vem uma sensação sublime, de que vai perpetuar germinar. Quando descreve com graça, a fragilidade de Mãe Hilda de Jitolu e a benção que é ser tocado pelas suas mãos frágeis. Essa jornalista que tem poesia no seu olhar mostra a nós leitores que a falta da cerimônia celebrada por Mãe Hilda de Jitolu na noite de saída do bloco Afro Ilê Aiyê, é ao mesmo tempo o pesar dessa mulher símbolo de amor e devoção ao seu povo, como enviada do encanto dos nossos Orixás.

O efeito visionário do texto da Patrícia Bernardes nos mostra que, Mãe Hilda de Jitolu não morreu, porque sua missão proporcionada pelos Deuses do Olorum ainda não terminou, mudou de nível, de fase. Mas continua viva. Sua energia paira e engrandece o inconsciente coletivo, porque sua vida foi fortalecer uma grande arvore de raízes profundas. Tronco enorme vistos na fragilidade que o avançar da idade lhe amoldou, galhos longos e flexíveis desenhado em suas rugas, folhagens fartas, porque essa arvore é mãe e acolheu com humildade as folhas de Ossain, e com espírito revolucionário de Oya espalhou pelo seu povo germinando conhecimento. Nesse movimento nada é finito. Arvore de Mãe Hilda de Jitolu é Cosmo Vivo, em perpétua regeneração.

Como texto descreve, era preciso se “acotovelar’’, para se chegar perto da Mãe, na esperança de um olhar, um pegar nas mãos ou um Asé de seu sorriso. Olhar, tocar, e vir, três sentidos primordiais, em meio agito. Hoje a generosa Mãe árvore, continua ensinando, porque basta a eloqüência do silencio todos nossos sentidos serão abençoados pela Mãe, basta sentir o bater mágico dos tambores, para ela sobrar com o vento da vida em nossos pensamentos. Esse respeito que a tornara seus ramos e folhas volumosos. O respeito aos mais velhos, em sua plena simbologia mítica. O símbolo da vida, que a comunidade do Ilê Ayê, jamais poderá esquecer, porque esta em perpetua evolução e ascensão para o céu.

Com o olhar sensível, nossa jornalista descreve a sensação da comunidade:

“Ofò”, na tradução da língua yorubá significa a perda”. É nesta palavra que os filhos do Terreiro Ilê Axé Jitolú, que os associados do Bloco Afro Ilê Aiyê, que os professores e alunos da Escola Mãe Hilda têm se centrado neste mês.” Gostaria que essa comunidade alimentada pelas palavras sábias percebesse, ou melhor, sentissem em seus corações que, a luz poderosa que fora banida ressurge. Sua atuação foi sempre voltada a combater o desequilíbrio dos pensamentos, valores e atitudes e das estruturas sociais. Contrapondo todo um sistema patriarcal doente.

Nada disso foi em vão, porque a riqueza da oralidade ancestral que muito falamos, ela existe, Mãe Hilda de Jitolu é a prova viva disso. Ela não escreveu seus ensinamentos em livros, escreveu sim em pessoas. A árvore foi plantada em vida. Suas raízes exploram as profundezas do solo da Senzala do Barro Preto. Árvore do Ilê Ayê tem o orvalho dos Orixás como seiva, e seus frutos, ciosamente defendidos, transmitem uma parcela de imortalidade de Asé. Portanto carregada de forças sagradas, e ligadas ao movimento da vida, ela vai crescer, inevitavelmente perderá suas folhas, e tornará a recuperá-las, e porque conseqüentemente, se regenera. “àiyé = “ayé” – mundo, terra, tempo de vida. O encanto das flores também serão outros, porque a primavera do Curuzu, Mãe Hilda de Jitolu não abre mão.

Sérgio Cumino – Ator, Diretor de Teatro, Poeta e Gestor Social.(São Paulo) 2010

Reflexão sobre o texto: A Primavera do Curuzu sem Mãe Hilda de Jitolu

http://bernardescomunicacao.blogspot.com/2010/09/primavera-do-curuzu-sem-mae-hilda-de_14.html

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