quinta-feira, 19 de agosto de 2010

OURO NEGRO X ESTRUTURAÇÃO DE BLOCOS AFRO 2011


No 2° dia do I Seminário Nacional de Turismo Étnico - Afro (Centro de Convenções da Bahia ) eu tive a oportunidade de falar sobre essa problemática com o Secretário Marcio Meirelles . Aproveitei a situação já que o tema dele foi O Carnaval Ouro Negro (Criação e Desafios). Fui um pouco ousada pois coloquei a todos presentes ( Antônio Gody, Sérgio Sobreira , Representantes de Blocos Afro e de Historiadores) a situação real sobre nossa enquete. O Secretário além de expor os desafios para captação de recursos para os Blocos Afros e Afoxés em Salvador se utilizou de uma "lacuna" presente na maioria deles. Qual? A falta de organização sistemática no cadastro dos associados e a falta de informações precisas quanto às atividades desenvolvidas fora do âmbito do Carnaval da Bahia.

Minha pergunta foi à seguinte:

" - Secretário, levantei um debate no Correio Nagô (Mídia Eletrônica) sobre como as Redes Sociais podem solucionar a situação dos Blocos Afros em Salvador. Vale ressaltar que são instituições que funcionam durante todo o ano e não somente nas festas momescas.

Nós ativos as causas das Comunidades ao redor dos Blocos Afro só teremos apoio no Verão ( ao brilho do Sol) e no Inverno só as mazelas ( acarretadas pelas chuvas) ?

O que o senhor, como recente gestor do Carnaval Ouro Negro tem a dizer sobre isso? "

RESPOSTA :

Como é seu nome mesmo menina? (Rs) Nós da Secretaria Estadual de Turismo da Bahia junto a antiga EMTURSA hoje chamada SALTUR estamos a passos curtos e cautelosos sobre a situação destes Blocos Afro em Salvador. Estamos regularizando as demandas de documentação de cada entidade afro / afoxé já existente no Estado para justamente implementar políticas públicas de melhoria no funcionamento anual de cada uma delas. A situação é lenta, pois eu estou somente nesta Gestão do Carnaval Ouro Negro há 2 anos. Tudo é muito novo pra mim e são muitas as demandas e deficiências.
Por exemplo, posso citar aqui nesta mesa redonda que em Feira de Santana já estamos " educando" cada liderança a registrar on line os arquivos da criação , histórico e manutenção de gastos de cada setor do seu Bloco Afro que foi devidamente licenciado pela Prefeitura. Salvador tem muitas entidades afrodescendentes que nasceram inicialmente de ideais e "aperto de mão". Quando um patrocinador chega a nossa mesa ficamos " correndo atrás" de assuntos burocráticos para que a Entidade não perca o dinheiro. Quero informar que por conta destas demandas eu , funcionário e gestor da Secult, estou pleiteando a possibilidade de que estas Entidades Afro Carnavalescas futuramente se tornem Ponto de Cultura em Salvador e no Interior do Estado. Estamos pensando sobre isso de forma cautelosa por conta da burocracia que algumas destas entidades terão que se deparar até chegar aos pré requisitos do Minc.

Pois é amigos...

Trocando em "miúdos"... O Gestor Meirelles deixou claro que sem comunicação organizacional prévia ficará difícil os Blocos Afro / Afoxés terem voz nas licitações e requisições durante todo o ano subseqüente.

E os nossos blocos (antigos e novos) passam por tantas dificuldades há anos...É nossa esta CULPA?
Sobrevivemos de bilheteria e até de aparições " folclóricas" para turista tirar fotos sem ao menos saber nosso situação real. Muitas vezes somos proibidos de expor nossas demandas e nosso grupo é colocado de forma rápida nas vans de transporte. "Êta negros que reclamam de tudo"...dizem.
Isso é REPARAÇÃO?
Fica fácil assim não é??
Transferindo responsabilidades...

Axé de Paz

Patrícia Bernardes

2 comentários:

troimarcelo disse...

Patrícia, tem alguma confusão no seu texto. O secretário Márcio Meirelles é secretário Estadual da Cultura...Não entendi quando coloca "secretario municipal de turismo da Bahia".

Patrícia Bernardes disse...

Olá Marcelo...
Correção feita...Mil perdões
Transcrevi o MP3 que gravei dele.
Axé de Paz
Bernardes