segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que éTurismo Étnico em Salvador?Somente Baianas e Fitas do Senhor do Bonfim?


É interessante ressaltar que a cordialidade brasileira – tendo sinônimo na generosidade, empatia e simpatia – torna vulnerável o próprio indivíduo dotado dessas virtudes, tão celebradas pelos estrangeiros que visitam o Brasil. O caráter do baiano principalmente, destacado como povo extremamente alegre, é uma das marcas que mais são visíveis na Bahia.

Tal generosidade, porém, pode ser manipulada de acordo com interesses próprios de uma elite controladora pelo poder e dinheiro, utilizando-se do modo de ser ingênuo das camadas sociais menos favorecidas economicamente, explorando não somente sua imagem, como também sua subjetividade. Entretanto, a simpatia da Bahia se torna frustração na medida em que a diferença se acentua, expondo a real situação para essa camada social.

As disparidades presentes no espaço baiano deram margem a adaptações culturais e sociais por parte da população, o mesmo acontecendo no restante do Brasil em diferentes proporções. O paradigma etnocêntrico, alimentado desde muito antes a escravidão dos negros, contribuiu para um ambiente em que o lucro e a ascensão social fossem o objetivo primordial das relações sociais. No âmbito do turismo, a luta pela ascensão social é facilmente reconhecida, de sorte que é nesse contexto que a cultura local é vista como objeto comercializável e abertamente explorável.

Analisando a imagem da mulher, no contexto brasileiro, é possível dizer que esta sofreu bastantes modificações ao longo do desenvolvimento histórico da nação, porém sempre preservando elementos pejorativos e que tiram o mérito da imagem feminina vendida pela publicidade e pelo turismo. O estigma erótico e sexual, marcado sobre o corpo feminino desde a dita descoberta das terras além Tordesilhas, ainda predomina na sociedade baiana e na capital Salvador.

Da preguiça e nudez desavergonhada associada às índias, à sensualidade da escrava negra, várias são as referências que contribuíram para a criação da imagem da mulher brasileira enquanto um ícone sexual, esta sempre marcada também pela submissão. Essa ideologia, comumente difundida em terras estrangeiras, contribuiu para a dissociação da imagem dessa mulher com a civilidade e decência, cabendo apenas à mulher branca européia os dois últimos adjetivos. Em contrapartida, fomentou o imaginário popular sobre as terras tropicais serem dominadas pela libertinagem e pela falta de lei e moral.

A SEMÂNTICA CORDIAL - REPRESENTAÇÕES DA MULHER NEGRA NO TURISMO DE SALVADOR

Escrito por Camila Xavier Nunes, Diego Casaes e Juliana Cunha Costa Universidade Federal da Bahia /UFBA

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