quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Joaci Góes critica abandono do Forte São Marcelo

Na última segunda-feira, dia 02, à noite, na Pupileira, em Nazaré, o presidente da ABRAF (Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos), o coronel reformado do Exército Anésio Ferreira Leite brindou os presentes com uma memorável conferência sobre o trabalho que a ONG que dirige vem realizando em favor da preservação das fortificações militares na Bahia, com especial ênfase na “joia da coroa”, o Forte São Marcelo, um dos raros exemplares com sua arquitetura, tão rico de episódios marcantes da nossa história, simpaticamente cognominado Umbigo da Baía de Todos os Santos.

O evento agradou desde a original entrega dos convites, feita por três jovens atores, impecavelmente vestidos com a farda alvirrubra dos Dragões da Independência, com capacete ornado de penacho multicor, não faltando os penduricalhos bélicos de estilo, como lanças e bacamartes. Ao receber o convite, decidi que não poderia faltar a evento que de pronto julguei promissor, a partir de tão cativante criatividade. Como todos os líderes comunitários e formadores de opinião que lá compareceram, senti-me largamente compensado pela decisão de fazer-me presente.

Depois de decênios de abandono, em que serviu, inclusive, de valhacouto de diversificada bandidagem, tráfico de drogas e prostituição, o Forte São Marcelo, desde o ano 2000, sob a gestão da ABRAF, incorporou-se ao universo de atrações da cidade do Salvador, como resultado da recuperação que o desonerou da ostensiva sujidade que o enfeava, da instalação ali de bar e restaurante, de loja de lembranças, como louça e artesanato regionais, bem como da exposição de peças e de registros gráficos, fotográficos e fílmicos relativos à saga do velho forte, construído no Século XVII.

Uma vez concluída, a duras penas, sua conclusão, com o concurso de empresas particulares e do setor público, sobretudo a Prefeitura de Salvador, o Forte recebeu, segundo afirma Anésio Ferreira Leite, entre 2006 e 2010, mais de trezentos mil visitantes, sendo cem mil estudantes. Números exponenciais que, por si mesmos, falam do significado da incorporação dessa vetusta fortificação ao lazer da Cidade Mãe do Brasil.

Ao longo dessa curta e bem- sucedida gestão, o Forte saiu de onde se encontra e visitou a cidade, com suas exposições em shoppings e museus, além da apresentação de momentos marcantes de nossa história, através de grupos teatrais, do mais alto valor educativo, como o que se exibiu na última segunda-feira, na Pupileira, com D. João VI e Carlota Joaquina muito bem caracterizados num impagável rapapé da corte.

Desgraçadamente, essa experiência vitoriosa encontra-se sob a ameaça de interrupção. De direito, aliás, interrupção já houve, uma vez que o Termo de Cessão de Uso do forte pela ABRAF venceu no dia 12 de julho último e até hoje o IPHAN não respondeu ao pedido de reconsideração da negativa que deu à prorrogação do Termo.

Dotado de espírito público, o Cel. Leite já bateu em todas as portas, ao pedir a ajuda do Presidente Nacional e do Superintendente local do IPHAN, respectivamente, Luiz Fernando de Almeida e Leonardo Falangola, do Prefeito João Henrique, do Governador Jaques Wagner, do Ministro da Cultura Juca Ferreira, da deputada Lídice da Matta e, até, do líder de opinião Mário Kértesz. Esforço vão. O IPHAN sequer se digna a marcar dia e hora para o recebimento formal do Forte, hoje dotado de alguns equipamentos que não podem ser largados ao deus-dará.

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