terça-feira, 8 de junho de 2010

Beleza Rara - A Estética Negra


O mercado de beleza e estética está acolhendo de braços abertos os afrodescendentes. A sociedade está deixando o preconceito de lado - pelo menos quando o assunto é vaidade.

Para endossar a teoria de que o preconceito está se afastando dos salões, o cabeleireiro Kaká santos conta que nunca encontrou dificuldades para agradar à clientela de todas as raças e de todas as tribos. "eu trabalho em cabelos afro e cabelos lisos, brancos e negros, eu não os diferencio.

A verdade é que os negros procuram profissionais negros para cuidar da beleza, porque acreditam no poder da empatia", explica o jovem que há 12 anos está na estrada. Hoje, no badalado salão ritz, em são Paulo, Kaká aponta uma nova realidade: 90% das pessoas com cabelo étnico procuram tratamentos para deixá-los lisos. "deve ser por causa da mídia, afinal, quando vemos famosas como a rihana sempre nos deparamos com cabelos chapados", revela.

Com experiência de sobra no mercado (trabalhou na são Paulo Fashion Week para o estilista reinaldo lourenço), ele confirma, otimista, que daqui a 10 anos, os cabelos crespos, armados e cacheados estarão em alta. "lembro de uma frase muito boa: o cabelo crespo entra na moda, mas o liso nunca sai".

Especializado em cabelos afro

Fernando Paolo não é ninguém menos do que filho de Fernando Fernandes, experiente cabeleireiro que há 26 anos montou um salão homônimo em São Paulo, especializado em cabelos afros. O jovem, de 23 anos e que atua há mais de uma década como profissional de beleza, nos mostra que há uma nova realidade para os cabeleireiros e os maquiadores: o fim do preconceito.

"Na realidade, é uma coisa que está fora dos salões. O que diferencia um profissional de outro não é mais a sua cor, e sim o seu conhecimento. Isto é, sem dúvidas, sinal de um trabalho de qualidade". E le explica que como existem médicos especializados em determinadas áreas, é saudável que os profissionais de beleza também se especializem. "Os cabelos e a pele afro necessitam de um trabalho mais detalhado. Infelizmente, no Brasil, não há cursos voltados para os cabelos crespos.

E isso é um grande diferencial", explica. Ele foi aluno do curso de Visagismo, o primeiro do Brasil, idealizado pela Universidade Cruzeiro do Sul e, embora o curso seja um grande avanço para os profissionais de beleza, ele não dá uma base significativa para o tratamento de cabelos afros. "Vivemos em um país em que 75% das pessoas têm cabelos crespos e mesmo assim não há aulas específicas para o tratamento deles. Nosso salão planeja para o próximo ano uma academia voltada para esse tipo de cabelo. Será um passo significativo", adianta. Ligado nas tendências mundiais, Fernando Paolo ainda aposta que os próximos 13 anos deverão seguir uma nova tendência: a dos cabelos crespos.

Fonte : Raça Brasil

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