quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Profissionalização para negros divide opiniões em Brasília


Fonte: Jornal do Brasil

A partir da próxima semana será implantado o maior Plano de Qualificação Profissional com recorte social e racial no Brasil: o Planseq Afro, que vai capacitar 25 mil negros que estão desempregados nos 26 estados e no Distrito Federal. Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso são os estados que oferecerão o maior número de vagas: 6.945, 3.860 e 2.940 respectivamente. Empreendedor individual, carpinteiro, mecânico de motos, eletricista, borracheiro, gerente de supermercado, operador de telemarketing e recepcionista são os principais cursos oferecidos. Entre eles, destaca-se o de cuidador de pessoas com doença falcifome - a doença genética mais comum da população brasileira que diminui a circulação, provocando dor e destruição dos glóbulos vermelhos e que acomete principalmente a população negra.
O Planseq Afro é uma parceria entre o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e custará cerca de R$ 20 milhões. Para fazer um dos cursos é preciso se autodeclarar afrodescendente e estar desempregado. O programa de capacitação priorizará os jovens de 16 a 24 anos e adultos com mais de 40 anos, além de pessoas com um número grande de dependentes. Alguns cursos exigirão ensino médio como pré-requisito. Mas a maioria pode ser feita por quem tem apenas ensino fundamental.

Divergências


Ações afirmativas voltadas para o mercado de trabalho, no entanto, não são unanimidade nem mesmo dentro do movimento negro.

- É um escândalo. É uma atitude reacionária - denuncia o coordenador do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda.

- Querem dividir a classe trabalhadora entre negros e brancos. O Ministério Público deveria se posicionar contra este tipo de política que divide o povo brasileiro.

Segundo Miranda, ações como esta só existem em países que adotaram políticas segregacionistas como a Africa do Sul e a Alemanha nazista.

- Qual a diferença entre o desempregado negro e o branco se ambos forem pobres? - questiona Miranda. - Não é desta forma que se combate o racismo. A igualdade é defendida na Constituição. O problema é que as políticas universalistas não estão sendo aplicadas até o fim, mas dividir o povo só serve ao interesse de quem quer aprofundar o racismo. Qualquer pessoa que luta pela igualdade de direitos deve se indignar com este tipo de benefício.

Autor do livro Uma gota de sangue - história do pensamento racial, Demétrio Magnoli acredita que um programa de capacitação destinado a trabalhadores negros não é necessário, uma vez que já existem programas destinados a capacitar trabalhadores de baixa renda:

- A finalidade, obviamente não é para capacitar, mas classificar. As políticas racialistas no Brasil não se destinam a promover inclusão social. Elas só se destinam a fabricar identidades raciais oficiais.


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