domingo, 28 de junho de 2009

equilibrando a AMIZADE (renovando para não SUFOCAR)‏

fonte: D. Eusébio Oscar Scheid Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro


Partindo do ponto de vista da experiência humana, pode-se definir a amizade como intercâmbio de valores com pessoas que, por diversas razões, tornaram-se únicas e apreciáveis em nossa vida.

A amizade sempre tem por finalidade o bem, porque é desenvolvimento do amor, de uma forma especial. O mal dá origem a conluios e conchavos, mas o fruto da amizade só pode ser benfazejo, multiplicando-se na dedicação às pessoas. Embora admita preferências, a amizade jamais se fecha no exclusivismo, eliminando outros.

O amigo é aquele que nos apóia em qualquer momento, sobretudo nos momentos difíceis e nas circunstâncias em que buscamos ideais maiores. Então, ele nos acoberta, nos preenche com suas qualidades que, unidas às nossas, formam um verdadeiro cabedal de valores. Esta riqueza enobrece nossas vidas e nos fortalece para enfrentarmos quaisquer situações, por mais duras que sejam.

A amizade não é transitória; tem a característica de ser perene, por si mesma. Não se decepciona, pois nunca espera receber alguma recompensa ou vantagem. Deseja somente dar, pois a pessoa amiga se realiza conjuntamente com a realização do outro. A amizade se consolida no mútuo estímulo e aconselhamento, mas, também, na sincera correção fraterna das falhas, quando necessário.

Evidentemente, tudo isso supõe uma certa empatia ou, pelo menos, simpatia. Para desenvolvermos uma amizade duradoura e profunda com alguém, é preciso um mínimo de afinidade, que leve à mútua vibração pelos ideais de cada um. Esse condividir de valores, experiências e objetivos a alcançar tem um conteúdo psicológico profundo, capaz de nos proporcionar grandes alegrias, características da amizade. Poderíamos compará-la a um vinho que, ao ser partilhado, se torna mais saboroso, assim já dizia Cícero.

Se tivermos que empreender uma obra difícil, o apoio dos amigos, até materialmente, revela-se inestimável. Fiz esta experiência, quando iniciei uma obra social para mais de 500 crianças, na periferia de Taubaté. Posso afirmar, com alegria, que contei com o apoio de vários amigos, tanto para o planejamento, quanto para a continuidade da obra, que existe até hoje, conduzida pelas mãos solidárias daqueles que me substituíram, graças ao bom Deus.

Quando trabalhamos na mesma missão, principalmente se esta tem como finalidade o Reino de Deus, conjugam-se idéias, esforços e programas de vida, que acabam por semear uma amizade fecunda e prazerosa para todos que a compartilham ou dela usufruem.

Termino, lembrando que temos amigos no céu. Aqueles que nos enriqueceram com sua amizade durante a vida terrena continuam a fazê-lo na bem-aventurança eterna. E lá também temos amigos que conhecemos apenas da literatura religiosa: os santos e santas, aos quais nos afeiçoamos, de acordo com nossas predileções, e que nos ajudam a caminhar com o estímulo dos seus exemplos de vida e dos seus escritos.

Deus seja louvado pelos amigos que temos e nos ensine a aperfeiçoar, na caridade, os amigos que somos para quantos se aproximam de nós. O Cristo Amigo continue a ser o nosso mais precioso tesouro!

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