sexta-feira, 5 de junho de 2009

Desemprego destrói auto-estima e pode levar à depressão


por Inara Barbosa Leão, psicóloga e professora na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).


Os fracassos na tentativa de retornar ao mercado de trabalho fazem com que o desempregado encontre em si mesmo o culpado por sua situação de desemprego. A auto-culpabilidade, associada a um estranhamento da realidade, desponta-se entre os efeitos emocionais do desemprego conforme mostra a pesquisa “Implicações Psicossociais do Desemprego para a Consciência Individual – Manifestação no Pensamento e Emoção”, coordenada pela psicóloga Inara Barbosa Leão, professora na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

“A pessoa tende a achar que a culpa é dela”, afirma a psicóloga com base em entrevistas com mil desempregados de Campo Grande. Segundo a professora, essa sensação ocorre em meio a um estranhamento, isto é, dificuldade de entender o porquê das mudanças. “A pessoa não consegue compreender o que está dando errado. Tudo que disseram que ela precisava fazer, ela fez, mas não deu certo. Disseram que era importante estudar, qualificar-se, ter boa aparência.

Essas transformações nas relações da pessoa desempregada reduzem a esperança a nível muito baixo – embora não chegue a eliminá-la por completo –, salienta a pesquisadora. As pessoas começam a achar que nada mais vai dar certo. “A longo prazo, essa situação pode resultar em doenças psicossomáticas”, afirma.

A pesquisa “Implicações Psicossociais do Desemprego para a Consciência Individual – Manifestação no Pensamento e Emoção” será transformada em livro, distribuído em dois volumes. O primeiro foi lançado no início deste ano, segundo a professora Inara. A segunda parte do estudo, referente às análises qualitativas, será concluída em meados de 2009 e deve ser publicada em forma de livro ainda este ano.

Um comentário:

Ricardo disse...

O trabalho é uma atividade essencialmente humana. A falta de oportunidade de emprego causa uma despersonalização humana e mantém um estado de angústia sufocante. A falta de trabalho rouba a dignidade humana, principalmente porque respiramos uma atmosfera poluída pelo capitalismo selvagem, os indivíduos são pressionados a manter a sustentação do status como condição existencial de bem estar.

Psicólogo Ricardo Sant´anna