quinta-feira, 26 de março de 2009

Você é resiliente?


O termo “resiliência psicológica” surgiu na década de 1960, quando Frederic Flach, estudando sua história de vida e de outros que haviam superado grandes adversidades, emprestou-o da Física e da Medicina e passou a empregá-lo para o ser humano. Desde aquela época a resiliência tem sido atribuída a pessoas com enorme capacidade de enfrentar desafios, lidar com imprevistos e superar crises sem serem afetados negativamente por elas, ou seja, mantendo seu equilíbrio emocional e conservando sua essência.

RECOMENDAÇÕES PARA A VIDA COTIDIANA

1) A construção do sentido

As condições adversas de vida podem levar as pessoas a uma atitude existencial provisória, um modo de ocupar-se apenas com o presente baseando-se numa atitude fatalista, de que "não tem jeito", "não adianta ".A construção do sentido é acompanhada da introdução do futuro. Mas, este futuro precisa ser experimentado, por isso os projetos iniciais têm que ser de curto prazo, viáveis, concretos. As atividades lúdicas, a organização de uma festa, um campeonato, permitem que o potencial se expresse e, simultaneamente, haja prazer ou satisfação.

2) Calendário Baiano

Tão logo uma atividade tenha sido realizada uma nova deve mobilizar o grupo, de modo a introduzir novos sentidos. A sucessão de sentidos pode solicitar atitudes diferentes, criar possibilidades de novos destaques, criar espaço para que uma aquisição recentemente adquirida possa aprimorar-se, oferece novos papéis retirando os envolvidos das esteriotipias freqüentes na experiências cronificadas.O futuro, a auto-estima, a auto confiança estão sendo trabalhados pela tarefa.

3) O sentido e o lugar no mundo

Junto com a construção da vontade de sentido podemos fomentar na criança e no jovem um projeto de lugar no mundo, no futuro.Os jovens que não conseguem imaginar seus futuros são, a meu ver, os mais frágeis. Se o futuro não existe, ou se a pessoa não "ocupa" um lugar no mundo no futuro, não há esperança, não há desafio.

4) O ensino fundamental e o sentido

Muitos jovens não conseguem entender para que serve o conhecimento. Fica difícil dedicar-se a algo cuja finalidade não está clara ou não tem gancho com a vida e a perspectiva do aluno.Devido a isto, considero fundamental estabelecer os nexos entre as matérias básicas e as profissões. Assim, o aluno pode entender para que serve a matemática, a língua portuguesa, as ciências, pois junto com estes saberes existem modos de estar no mundo, por meio da produção. Cria-se uma ponte entre o ensino, o mundo e o futuro. Aprender passa a fazer sentido pessoalmente.

5) A auto-estima:

Muitos meninos têm uma auto-imagem negativa. Cresceram ouvindo das pessoas "profecias " extremamente negativas e desqualificadoras. A equipe que desejar desenvolver no jovem amor por si mesmo e pelos demais precisa desconstruir a imagem que o menino trouxe. Esta desconstrução não é difícil. Dependerá do olhar da equipe para as qualidades e potencial do jovem.

6) Cuidar-se e cuidar

Os cuidados com o próprio corpo tem um importante papel na promoção da auto-estima. Estimular a capacidade de cuidar de si mesmo. E simultaneamente fomentar os cuidados com os ambientes onde o cotidiano transcorre. A dimensão estética, as cores, as formas e a construção de "coisas belas" devem ser estimuladas. É claro, que está estética vira marcada pelos interesses da adolescência, da cultura, da época. Mas, o que nos interessa é o movimento de preservação, de carinho, enfim, auto-preservação.

7) Livro de ocorrências novo

Nas instituições, existe sempre um registro das chamadas "ocorrências", destinado a anotar os problemas, os erros, as brigas, as medidas adotadas frente aos conflitos. Este livro precisa mudar de enfoque. Quando o menino acerta, quando eles se entendem, quando revelam suas qualidades e interesses, aonde fica o registro? Precisamos começar a anotar as soluções, as possibilidades.Se esta mudança é estabelecida começamos a fazer profecias positivas, e o adolescente tem a oportunidade de mudar sua auto-imagem e sua postura.

8) Os gestos anti-sociais.

Quando o menino ou menina são agressivos, ou "inadequados" o quê fazer?Antes de atribuir os motivos do jovem e condená-lo com alguma medida disciplinar precisamos entender o acontecimento. Entender suspendendo a tendência de classificar entre certo e errado, bom e mau. A maioria destes atos expressa um pedido de socorro ou um fragmento importante da vida do sujeito.Compreender uma conduta fora do campo onde ocorreu é impossível. A biografia e o contexto são fundamentais.

9) Não contra-atuar

Quando o jovem apresenta um comportamento disruptivo, é muito freqüente a resposta correspondente do operador seja uma espécie de espelho. Se o menino está, por exemplo, nervoso, o educador entra na cena como um complementar, fazendo com que aquela atualização de algo biográfico, ou pedido de socorro se transforme em questão disciplinar, e não numa possibilidade de diálogo e elucidação das origens da atitude.

10) Desaquecendo as cenas

Estes momentos de tensão são quentes. Dominados por escassa disposição para ouvir e compreender. São necessários procedimentos de desaquecimento. Além de não complementar a cena violenta, o operador deve facilitar a expressão verbal de todos os protagonistas, retirar o conflito da dimensão dramática e introduzi-lo num campo do diálogo, no qual poderá ocorrer elaboração.

11) As pequenas alegrias

Momentos de conversas coletivas, de cantoria, de leitura em grupo, de narrativa popular podem ser momentos de restauração, de trégua, e também, de elaboração. As estórias, os contos têm sempre uma mensagem , uma lição. Mas, a atmosfera criada nestas atividades talvez sejam mais importantes do que o recado verbal. É a melodia da canção.

12) Humor

O bom humor indica flexibilidade, plasticidade mental. Revela a capacidade de fazer de conta, de olhar as coisas com certa distância, com crítica. Tal capacidade associa-se a capacidade de rir. O riso indica certo distanciamento do fatos fatos, cria a possibilidade para que os eventos possam ser entendidos sem afetar a pessoa de modo imediato.Aprende-se a relativizar.

13) Sistema de Socorro

Quando algum direito fundamental esta ameaçado, por exemplo, o direito de aprender, os programas podem desenvolver um SOS. O sistema de socorro deve atender todos envolvidos na situação de "risco": operadores e educandos.Muitas situações resultam em exclusão ou expulsão. Se este movimento puder ser substituído por processos de reinclusão qualificada, todo mundo aprende.

14) Direito à ternura

Os vínculos são muito importantes para a vida. Bebês morrem quando não são amados, morrem de carência. O afeto é tão importante quanto as vitaminas. Este envolve um campo novo, que é difícil de expressar em lei. Trata-se do direito à ternura.

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