quinta-feira, 26 de março de 2009

GUIA DE PROMOÇÃO DE RESILIÊNCIA



por Cenise Monte Vicente

Resiliência é um termo utilizado para definir a capacidade humana de passar por experiências adversas sucessivas sem prejuízos para o desenvolvimento. Algumas pessoas cujas biografias foram marcadas por tragédias acumuladas chamaram a atenção dos estudiosos da psicologia do desenvolvimento pelo modo de responder as dificuldades e de tornar tais eventos em promotores de habilidades para a vida.Para afirmar que o desenvolvimento das potencialidades do sujeito não foi afetado negativamente pelas situações de risco vividasproponho identificar se o sujeito é capaz de amar, de trabalhar e se assume seus direitos e deveres enquanto cidadão.Pensei em propor este guia, um conjunto de recomendações para operadores sociais que trabalham com crianças e adolescentes cujas vidas são marcadas por violência.Acredito que estas sugestões possam ser úteis especialmente para os jovens que responderam de modo irado às condições adversas de suas vidas. Quando o sistema é destruidor, aquele que manifesta a ira revela ter preservado aspectos fundamentais da condição humana. Existe um acúmulo de conhecimento sobre resiliência que nos permite afirmar que é possível promover resiliência. A resiliência é um fenômeno psicológico construído, e não é tarefa do sujeito sozinho. As pessoas resilientes contaram com a presença de figuras significativas, estabeleceram vínculos, seja de apoio seja de admiração. Tais experiências de apego permitiram o desenvolvimento da auto-estima e autoconfiança .Outro motivo para a elaboração deste trabalho é o entendimento de que estamos diante de uma ferramenta, um conceito com potencial de instrumentalizar os trabalhadores da área da infância para a educação para a vida, e para a cidadania.A resiliência tem uma dimensão ética que não pode ser negada. Ela só é possível quando existe esperança no futuro e um sentido anunciado, uma meta, um horizonte ético que nos atiça para frente. Um dos fatores de destruição do trabalho de um educador social ao lidar com vidas difíceis é a descrença que nasce do modelo do dano. Um modelo no qual predomina a observação apenas dos problemas e das dificuldades, algumas vezes com muita precisão, mas que não insere na análise qualquer perspectiva ou alternativas de resolução.O modelo fundamental para o desenvolvimento da resiliência é o modelo do desafio, no qual tanto o reconhecimento do pproblema quanto das soluções estão presentes.Portanto, a promoção da resiliência serve não apenas aos meninos e meninas em dificuldade, mas a toda comunidade comprometida com estas vidas.A experiência de planejar deve sempre contemplar os períodos de avaliação, na qual as operações, o cronograma e os responsáveis possam ser discutidos com todo o grupo avaliador. Com os resultados parciais avaliados é possível e corrigir o plano de trabalho. Planejar/avaliar/planejar permite romper com o modelo do dano, pois o famoso discurso do "é muito difícil" deve ser substituído pelo "podemos fazer...".Planejar não dispensa o treinamento. Os hábitos, os modos de responder as situações de conflito têm uma matriz muito autoritária em nosso país. Um cotidiano democrático exige construção de atitudes pouco freqüente em nossos repertórios. Esta construção passa por sensibilização, compreensão e treinamento. A capacitação permanente da equipe é um elemento fundamental na formação dos operadores.

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