quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cemitério dos vivos: análise sociológica de uma prisão de mulheres


INTERESSANTE...



por LEMGRUBER, Julita em 1999.



A etiologia das práticas homossexuais, que, nos ambientes carcerários,também envolve a busca de afeto em face de tantas violências e privações,é ponto a ser destacado na análise, uma vez que amplia o espectro de elementos a serem inseridos no enfoque da questão.

As estratégias de adaptação ao ambiente e às privações carcerárias,tais como o afastamento psicológico, a rebelião, a colonização, a prisionalização e o próprio envolvimento homossexual são descritos dentro de uma parâmetro uniforme.Estas detentas são descritas a alcagüete (ou delatora), a cadeeira, a política, a bacana, a madrinha (ou tia), a maluca, a cobertura, a negociante, a subversiva e a guria, a fachona e a meeira (estas três últimas vinculadas às práticas homossexuais).

A análise leva em consideração tanto a repressão moralista, a prática, como os critérios de
uma sociedade machista, os quais imputam a obrigatoriedade do recato à mulher, bem como sua fragilidade, da qual decorre a necessidade de maior tutela; assim, como registra Lemgruber, “não causa surpresa verificar-se que o homossexualismo é reprimido mais intensamente em prisões femininas” (1999, p. 121), sendo, inclusive, motivo de preconceitos e repulsas internas
por parte das apenadas, bem como de delações na busca de privilégios e punições.

A etiologia das práticas homossexuais, que, nos ambientes carcerários também envolve a busca de afeto em face de tantas violências e privações, é ponto a ser destacado na análise, uma vez que amplia o espectro de elementos a serem inseridos no enfoque da questão.

As conclusões da obra, que sintetizando o fracasso histórico e atual da prisão, acompanham considerações sugestivas – não no intuito de uma “ilusão reformista”, sustentada no “mito do bom presídio”, mas sim num compromisso crítico – para que se minorem “os efeitos perniciosos do confinamento”, conduzem-nos ao reconhecimento de que a prisão:

... funciona no sentido de aviltar e estigmatizar para
sempre os que por ela passam e, na medida em que
não se visualiza sua extinção num futuro próximo, há
que se lutar para que sua influência se torne menos
perniciosa. E, por fim, se alternativas à prisão existem,
urge aumentar sua abrangência e exigir sua aplicação...

(LEMGRUBER, 1999, p. 162).

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