sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Enunciação do documentário: o problema de “dar a voz ao outro”.



Autor: Francisco Elinaldo
comentado por Patrícia Sousa para sua composição de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)





O texto tenta situar uma referência atual às realizações de Eduardo Coutinho pelas suas realizações no cenário do documentário brasileiro desde
a sua maior visilibidade na mídia em 1981 com o doc. “Cabra Marcado para Morrer”.
São feitas observações neste capítulo sobre a produção documental do autor, suas referências antropológicas, sociológicas e as críticas feitas por Eduardo no que diz respeito à representação da imagem, a impossibilidade de seguir severamente a sua expressão escrita, falada ou em sinais em um documentário.
O texto colabora com a nossa proposta de documentário por afirmar que ao dar a voz ao outro, o autor do documentário provoca um ato liberador da fala no outro. Passa a existir uma maior liberdade nos discursos presentes nos diálogos do documentário. O autor retrata que ocorre “a consciência da falta, da dívida para com o outro, a quem se acena com boa ação de restituição da fala despojada” ( pag.165). As reflexões feitas sobre as produções dos documentários de Eduardo Coutinho ( Santo Forte – 1999) e Glauber Rocha ( Terra em Transe – 1967) afirmam a existência da negociação da imagem seja ela feita de forma brusca e agressiva ou sob a ótica da doação da voz ao outro. O balanço comparativo sobre as duas produções de documentário revela que é feito um acordo entre o autor e o articulador sem que a sua identidade seja alterada. Isto fica claro quando o autor do texto afirma que “ o solo permanece intocado quando a interlocução é posta sob a ótica da doação da voz ao outro, um mero expediente de inversão em que o cineasta e personagem podem erguer pontes entre suas diferenças, assim propiciando a sua interlocução...” (pag.165)

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