quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tese comprova participação Glauber Rocha na evolução política do país

Entre os anos de 1962 e 1968, instala-se no Brasil o período que ficou conhecido como “Cinema Novo”, denominado a partir de uma análise a cerca de determinados filmes e das críticas feitas na época. A tese “Vivendo o cinema”, da pesquisadora Maria do Socorro Carvalho, integrante da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), relata exatamente este momento histórico que consagrou não somente Glauber Rocha, como também outros cineastas que já se destacavam no cenário cinematográfico.

Segundo a pesquisadora, o início da trajetória da pesquisa foi o movimento chamado “Ciclo de Cinema Baiano”, que ocorreu entre dos anos de 1958 e 1964. “A cultura cinematográfica na Bahia, não apenas produzia filmes, mas também críticos, técnicos, produtores, atores e diretores. Tudo aconteceu muito rapidamente, e em um breve intervalo de cinco anos essa Nova Onda Baiana nasce, cresce, produz, ganha notoriedade e morre”, afirma Maria.

Foi a partir da modernização da cidade de Salvador, ocorrida na década de 50, que surge o cinema baiano. Mesmo sem apresentar grandes progressos sociais, a cidade começava a se destacar como uma disseminadora de arte e de eventos culturais. “Uma idéia bastante difundida pela imprensa local era a de que Salvador, por sua história, situação geográfica privilegiada e rica tradição cultural, seria a única cidade brasileira com possibilidades de tornar-se uma síntese do país, uma referência do Brasil para o mundo.O cinema teria um papel importante na construção do sonho de fazer da antiga Cidade da Bahia a capital cultural do país”, esclarece a pesquisadora.

Na opinião da pesquisadora a repercussão da “ideologia do desenvolvimento” na Bahia, guiada pelo cinema, auxiliou no progresso cinematográfico da cidade e no aparecimento de profissionais de grande importância na história do cinema. Para a elaboração dos estudos foram consultados os quatro principais jornais diários do Estado: o “Diário de Notícias”, o “A Tarde” e o “Jornal da Bahia“ “Estado da Bahia”. Porém apenas o último foi inteiramente pesquisado. “Foi nessa cidade que um grupo de jovens amantes do cinema aprendeu a ver e a fazer filmes. No trabalho tentei analisar a expressão cinematográfica baiana dos anos 1950 a partir dos acontecimentos nacionais, quando se vivia a euforia desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek e, em especial, da sua projeção na Bahia, que também criava sua utopia de anos dourados”, afirma ela.

Glauber Rocha não só participou como também fez com que o cinema brasileiro conseguisse atingir o patamar que se encontra nos dias atuais. Além dele outros cineastas também auxiliaram na disseminação e no desenvolvimento da Cultura cinematográfica. Entre eles, destacam-se Roberto Pires, Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte, e muitos outros.

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