quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Música é tema de debate sobre bens de propriedade

Doutorado na UFBA discute efeitos da expansão do mp3 na sociedade
Por Patrícia Sousa


Com apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) , Messias Guimarães Bandeira apresentou os efeitos da expansão do mp3 em seu doutorado.A aprovação para o início da pesquisa foi dada em 1999 e promoveu discussões sobre as tecnologias de informação na produção musical e seus efeitos na indústria fonográfica, os artistas e o público consumidor de música popular. A função da pesquisa foi fazer uma avaliação do cenário da música pop no Brasil a partir da tecnologia de informação. A bússola utilizada na pesquisa foi a produção alternativa feita por artistas independentes e bandas “de garagem” sem se utilizar de um discurso “panfletário”. A escolha do objeto de estudo foi feita por Messias por fazer parte da sua realidade. Ele sempre participou de festas como Dj, fez participações administrativas em rádios alternativas e fanzines eletrônicos. A música popular brasileira foi o segmento que antecipou o cenário de expansão das tecnologias digitais. A reação do público em conhecer o seu ídolo através na internet se tornou freqüente. A relação entre o som e a tecnologia já tem mais de 100 anos. Há uma relação de êxito entre a música popular e as tecnologias de gravação e reprodução de música. Cds caros financiam uma divulgação cada vez mais dispendiosa, para vender artistas cada vez mais fabricados em todos os aspectos. As rádios recebem tanto dinheiro para promover e executar músicas de determinadas bandas que acaba não sobrando espaço para os novos e alternativos. À primeira vista, a compra “por atacado” poderia parecer mais vantajosa do que a de “varejo”. Porém, isso cancelaria a malandragem das gravadoras de colocar apenas uma ou duas músicas boas em cada álbum (especialmente coletâneas), obrigando a pessoa a pagar por conjuntos de 12 músicas quando, na verdade, só estava comprando uma ou duas de cada vez. Este ponto é colocado na pesquisa com “ expansão da tecnologia áudio visual”.O pesquisador aponta em sua análise que as gravadoras só entendem de logística , distribuições de cds, de marketing e de “filão de mercado”. Com o MP3, a unidade passou a ser a música, não o álbum. Uma banda com reconhecimento médio em sua cidade e que desse a sorte de ter uma música de sucesso, não precisaria ser agenciada por uma gravadora.Todo o processo de produção musical é feito digitalmente e com isso a distribuição do produto é mais barata. As gravadoras perderam a vantagem do “segredo do produto”. A produção musical em si , é tratada como mercadoria restrita as gravadoras e os contratos são apresentados por Messias com “termos desequilibrados” de acordo entre músico e gravadora.A pesquisa afirma que não há nada de ilegítimo em fazer este tipo de distribuição. A análise mostrou que a distribuição da música foi sendo propagada pela internet por causa da deficiência das gravadoras em “escoar” a sua produção musical . Somente 10% da produção mundial de música é divulgada pelas gravadoras. Por isso, toda a estratégia foi reformulada, algo como permitir que os amantes de música ouvissem as músicas com antecedência para então determinar onde concentrar os esforços de marketing. Muitos artistas viram na internet a possibilidade de lançar seus negócios no mercado de produção digital. Os resultados verificáveis da pesquisa apontaram que o argumento das gravadoras de que a gravação de músicas em estúdio digital gera a pirataria é mentira.A produção independente atingiu números exorbitantes e “descontrolou” as ações das grandes gravadoras. Outro resultado mostrado é que as pessoas que compram música na internet também aumentaram a compra de CD para conhecer melhor seus artistas.Para continuar o debate sobre a Audiosfera , Messias Guimarães , lançará seu livro cujo título leva o nome da sua tese “ Audiosfera, tecnologia de informação e da comunicação e a nova arquitetura da cadeia de produção musical ”. O livro é uma releitura da tese de doutorado com toques didáticos para a Rede Global da Música On-line .

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