sábado, 24 de novembro de 2007

“Erês do Museu” antecipa papel pedagógico do Muncab


por Patrícia Sousa


Cerca de 120 crianças de sete escolas públicas de Salvador visitaram as obras do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileiro (Muncab). A obras de construção é uma iniciativa da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro) que tem como objetivo estimular o ensino, a pesquisa e demais ações voltados à recuperação e preservação do patrimônio, da memória e da cultura afro-brasileira e tem inauguração prevista para o final de 2008. O local escolhido para a instalação do museu fica próximo a Rua Chile na Rua do Tesouro, em Salvador.O prédio fica localizado num local conhecido hoje como “cracolândia” e sua restauração tem como função retomar a revitalização do próprio centro histórico e melhorar a qualidade de vida da população que vive nessa região.
O Projeto “Erês do Museu” tem como objetivo alcançar crianças através de seminários e oficinas sobre a sua própria história cultural. A intenção é que estes jovens vivenciem todas as etapas da construção do museu de cultura e arte. As atividades foram divididas em três etapas que foram realizadas a partir de outubro de 2007, na Amafro localizada na Praça da Sé em Salvador. “Reunir representantes de diversos segmentos da história e cultura negras, é a nossa intenção para ampliar o conceito e o funcionamento do Muncab”, afirma José Carlos Capinan, presidente da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro), entidade responsável pela execução do projeto de implantação do museu.
Os cuidados com as atividades vão da escolha dos monitores e palestrantes até a seleção das instituições de ensino. Os inscritos têm entre 12 e 14 anos e estão matriculados regularmente nas instituições de ensino convidadas para as oficinas interativas realizadas no Conselho de Educação e Cultura (CEC) no Campo Grande. A intenção do projeto é que o Muncab se torne um centro de referência, fazendo com que pesquisadores e alunos tenham mais informação sobre a nossa própria matriz cultural.
Jaime Sodré, supervisor cultural das atividades, acompanhou de perto a exibição de um vídeo durante o seminário preparatório para monitores e convidados. “A intenção deste seminário preparatório aqui na Amafro é mostrar para os monitores a função do projeto” enfatiza o supervisor.

Oficinas interativas fazem parte do projeto

O Conselho de Educação e Cultura (CEC) foi o local escolhido para as oficinas interativas no final do mês de outubro. As crianças passaram a semana aprendendo artes plásticas, dança, história, tradição oral, museologia, teatro. As instituições foram escolhidas com base no tipo de trabalho social que seus coordenadores desenvolvem na cidade, assegura Nivalda Costa, diretora pedagógica do projeto. As atividades foram programadas em dois turnos para que nenhum jovem ou criança ficasse de fora. “O transporte das crianças foi feito com a colaboração da Câmara dos Vereadores de Salvador e também contribuições particulares,” afirma a assistente de coordenação pedagógica do projeto Alyne Oliveira.
Segundo a historiadora e phd em antropologia Vanda Sá, o projeto tem como base discutir o conteúdo que é lecionado nas instituições sócio educativas da Bahia e incorporar novas ações de ensino na grade escolar destas crianças e jovens. O Muncab irá trabalhar com a diversidade, a visão que cada um tem, o que as pessoas desejam ver no museu e discutir até sobre a história afro – brasileira é exposta atualmente.
As oficinas oferecidas servem para pensar que o museu não será só uma coisa de acervo, mas de linguagens visuais como cinema, fotografia, interação com linguagens novas.O patrocínio para a realização das atividades foram dados pela Fundação Pierre Verger, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fundo de Cultura, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda.
Edileuza Silva, gerente administrativa do “Erês do Museu”, fala que houve uma preocupação na escolha das instituições participantes pelo fato de dar prioridade aos jovens de baixa renda afrodescendentes. A cada atividade promovida nas oficinas, às crianças produziam objetos de arte, redações escritas com base nas aulas dos monitores e ensaiavam uma peça de teatro para ser apresentada no final da oficina. Para Edileuza Silva é importante a participação das instituições educativas de Salvador para que haja debates sobre a cultura afro-brasileira

Certificado de “Amigos do Muncab” é entregue na sede do Ilê Ayê


Erê significa criança em iorubá e todo o projeto foi voltado para as crianças das instituições educativas de Salvador. Antônio Carlos dos Santos Vovô,presidente do Ilê Ayê, faz parte do conselho consultivo da Amafro e cedeu o espaço para a finalização do Projeto. O material confeccionado pelos jovens e crianças nas oficinas interativas será levado para uma ala reservada no Muncab. “A Amafro já organiza outra licitação para a adaptação do espaço interno do prédio ao funcionamento do Muncab”,confirma Capinam. O objetivo da diretora pedagógica Nivalda Costa é a de que cada aluno veja a sua produção cultural exposta no museu. Os jovens, ao final das oficinas, visitaram as obras do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira para ter um contato maior com o que eles aprenderam no CEC.
O encerramento contou com a apresentação cênica “Os Erês do Museu”, na sede do bloco Ilê Ayê no final do mês de outubro. A banda Erê do Ilê Ayê participou da confraternização para convidados, monitores, os jovens do projeto, seus pais e coordenadores das instituições educativas integrantes. Capinam entregou aos jovens uma carteirinha de “Amigos do Museu Nacional Afro-Brasileira”. “O Muncab lança a semente da ‘Árvore da Memória’, símbolo de uma nova atitude de reconstrução diante do que a ‘Árvore do Esquecimento’ desconstruiu, recuperando assim a importância da contribuição da matriz afro - brasileira”, finaliza Capinam. A entrada no museu ,quando inaugurado,será franca para determinados grupos sociais, escolas públicas e comunitárias. Outra forma de manter o Muncab, segundo o próprio presidente da Amafro é a venda de réplicas e de camisas desenvolvendo assim um shopping cultural com convênios com entidades de educação, que também são formas de sustentação para o museu.



Nenhum comentário: