quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Pânico é uma doença?


O mundo sofre os efeitos da corrida pelo sucesso


A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.
Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor idéia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.
É tão difícil, atualmente, encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar em Síndrome do Pânico. O sintoma básico é um medo enorme sem explicação, indefinido, medo infundado; você acha ridículo sentir esse medo, mas não consegue controlar. Ela é caracterizada pela presença de ataques de pânico. São crises súbitas, repentinas, espontâneas, com forte sensação de medo (medo de tudo e sem motivo), de perigo, de desmaio, de derrame cerebral, loucura ou morte iminente (o que nunca ocorre); sensação de alerta ou de fuga, necessidade de socorro imediato ou até de se encolher num canto, agitação e múltiplos sintomas indefiníveis. Enfim, um terrível mal estar. Você se sente totalmente inseguro, como uma criança. Não houve nenhum fator que o precipitasse.
Os indivíduos menos conscientes procuram a saída nos calmantes ou dependentes químicos, tais como álcool, maconha, cocaína e outros entorpecentes. Como o álcool é um depressor do sistema nervoso central, os portadores do pânico têm forte tendência ao alcoolismo, porque ao ingerir bebidas alcoólicas, os sintomas desaparecem, momentaneamente, em função do seu efeito antidepressivo. É muito comum que as pessoas com a síndrome sintam a necessidade de ingerir bebidas alcoólicas para conseguir sair de casa ou realizar coisas que já não conseguem mais.
Como a síndrome do pânico não é psicológica, a crise não desaparece com terapias. O máximo que se pode alcançar com isso é adiar o sofrimento. A terapia comportamental é importante como auxiliar no tratamento medicamentoso. O pânico não desaparece espontaneamente; ao contrário, tende a agravar com o tempo. Os pacientes são tratados com remédios que atuam diretamente no sistema nervoso central, equilibrando os neuro-transmissores (noradrenalina, adrenalina, serotonina e outros) e evitando as crises. O tratamento considerado específico conjuga o antidepressivo a outras medicações, conforme o caso; e assim mesmo, não existe um antidepressivo único para todos.
Diagnosticar a síndrome do pânico não é nenhum mistério, a questão principal é acertar nos remédios. Se você não teve sucesso com alguns remédios, não desanime.Insista, procure o profissional da sua confiança. Ninguém morre do pânico e nem perde o autocontrole.Num lar onde existe um portador da síndrome do pânico, deverá haver muito amor, carinho, muita compreensão, apoio moral e espiritual.

Predadores Sexuais







Pais precisam observar navegação dos filhos na Internet


Filtros, fiscalização permanente e até mesmo o uso de impressões digitais para conexão não bastarão para impedir que adultos determinados obtenham acesso a sites infantis na Internet, e cabe aos pais monitorar o que seus filhos fazem online, de acordo com a mundialmente famosa unidade de crimes sexuais da polícia de Toronto.
Os sites de redes sociais que se afirmam seguros para crianças a partir dos seis anos incluem mundos virtuais como o Club Penguin (http://www.clubpenguin.com/), que promete salas de bate-papo seguras para as crianças, em um "ambiente moderado". O Club Penguin, que desfruta entre os pré-adolescentes de status semelhante ao que o Facebook desfruta entre os jovens, utiliza filtros de conversação que incluem bloqueios ao uso de linguagem imprópria e também um recurso de segurança conhecido como "chat de proteção completa", no qual só sentenças pré-aprovadas podem ser utilizadas em conversas.
"Trata-se de passos na direção certa, mas acredito que mesmo o melhor sistema possa ser derrotado", disse a sargento-detetive Kimberly Scanlan, que comanda a seção de exploração infantil da unidade. O site Anne's Diary (http://annesdiary.com/), inspirado pelo personagem principal de "Anne of Green Gables", livro de L. M. Montgomery, usa um leitor de autenticação de impressões digitais e afirma ter estabelecido "novos paradigmas em termos de segurança online".

(Reportagem de Naomi Kim)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ética,cidadania e digital camuflada


por Patrícia Sousa
2004.2

“É mais fácil construir crianças fortes do que consertar homens quebrados”,afirma Elifas Andrade , diretor da revista Almanaque Brasil.

As pessoas têm se perguntado se o Brasil é um país ignorante, atrasado ou conservador no processo de globalização.O Brasil e o povo brasileiro não são ignorantes de "globalização". Eles são , por muitas circunstâncias, omissos. As conquistas econômicas e a privatização de estatais refletem bruscamente a corrida dos cidadãos comuns em exercer seus deveres e se apoiarem em seus direitos garantidos pela na Constituição.
Embora muitos dos seus direitos venham sendo conquistados com muita luta, a execução de vários outros é que vem travando ao longo do tempo uma briga entre Estado e a Sociedade.
O exercício da cidadania esta ligado ao respeito ao próximo. Acredita-se que desta forma a execução de deveres seja satisfatória.
Eu preciso acreditar nisso...

Um dia no Pelourinho


por Patrícia Sousa
2004


Passeando pelas ladeiras do Pelourinho viajamos por cidades de todo mundo,visitando museus como a Casa da Nigéria, na rua Alfredo Brito, ou assistindo peças que retratam a nossa baianidade exibidas no Teatro Miguel Santana, na rua Gregório de Matos. No local, para muitos, é possível sentir a intensidade do que é ser baiano e estar num lugar tão rico culturalmente.
Conversando com Luis André, encarregado das visitas à casa do Olodum, qualquer soteropolitano entenderá a expressão “Sorria, você está na Bahia”. Segundo ele, a partir da década de 60, o Pelourinho começou a sofrer um terrível processo de degradação política, social e econômica, pois a cidade sofria um intenso processo de modernização econômica que transformou sensivelmente a sua estrutura ganhando noves centros culturais, comerciais e novos bairros geográficos. O Olodum em parceria com Ongs e a Prefeitura da cidade deram inicio a uma nova fase do Centro Histórico de Salvador levando o turista a conhecer os primórdios da historia do Brasil. Quem também dá um “ar” de alegria e descontração aos casarões do Pelô são os guias turísticos. Miguel, destaque entre eles, começou nas ruas do Pelourinho orientando turistas informalmente em troca de camisetas para vestir. Hoje, com 22 anos, Miguel “Traquino” como é chamado pelos amigos, faz parte do projeto guia mirim da prefeitura de Salvador. Com sorrisos largos, subindo e descendo as ladeiras de Salvador, os quais turísticos vão explicando a colonização da primeira cidade do país.
Traçando cabelos ou cantando em barzinhos os baianos vêem no Pelô um ponto comercial informal de grande importância.
“O segredo do sucesso é o sorriso” diz Negra Jô com tamanho carisma trançando os cabelos de uma turista belga. Para Jô o Pelourinho modificou sua vida. Começou numa praça do Pelourinho em 1995 e hoje já possui salão próprio e é bastante procurado a qualquer dia do ano. Seu salão também promove cursos para cabeleleiros ou qualquer pessoa interessada em montar negocio próprio.Outro ponto que vale destacar no Pelô é o seu Carnaval que vem ganhando destaque ano após anos. Formado por brancos, negros, índios, seu povo mestiço e alegre, criativo, musical,herdeiros de rico folclore estam colorindo as ladeiras e praças do maior cento de manifestação cultural – O Pelourinho.

Circo é apontado em doutorado como forma de inclusão


Atividades de arte e integração mudam a vida de jovens em Salvador

Por Patrícia Sousa

A Arte Circense passa por um processo de reorganização onde grupos que apóiam a inclusão social retiram das ruas crianças, adolescentes e jovens sem apoio governamental. Com o apoio do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC), o pesquisador e bailarino italiano Fabio Dal Gallo desenvolveu seu projeto de pesquisa no ano de 2005 sobre o Circo Social.Querendo aprofundar assuntos de caráter artísticos, o pesquisador explica que atualmente o circo social está em crescente importância no campo internacional e ressalta, em particular, a arte circense brasileira. O projeto que tem com pano de fundo a tese de doutorado do pesquisador, é direcionado para a investigação dos espetáculos produzidos pelos projetos sociais que envolvem o Circo. A corrente estética que se inseriu nos espetáculos circense , levou a dramaturgia de cunho social a ser chamada de “Novo Circo”.Dal Gallo tem como bússola em seu projeto de pesquisa as atividades desenvolvidas pelo Cirque du Soleil nos últimos 30 anos. Fundado em Quebec em 1984, o Cirque serviu de base de análise em sua dramaturgia, narrativa e enredo utilizado em seus espetáculos apresentados pelo mundo.

Em 2004 a pesquisa de campo foi iniciada . Fabio ainda era educador e instrutor de malabarismo na Escola Picolino de Artes do Circo. O contato direto com a Ong-Escola fez com que a idéia de inclusão social e o desenvolvimento integral de indivíduos em situações de risco, pudessem ser modificados através da arte circense. Segundo o projeto de pesquisa, o circo social ou novo circo, além de apresentar resultados positivos na inclusão destes jovens, apresenta uma variedade de ações positivas como,por exemplo o ensino das técnicas de circo, teatro, música, capoeira e as inúmeras artes nordestinas.Outro ponto apresentado nos resultado neste doutorado é a busca do treinamento de profissionais que possam passar adiante os fundamentos da

pedagogia e da psicologia com relação aos direitos e deveres da criança e do adolescente.

Bia Simões, professora da Ong - Escola, afirma que a aliança da filantropia com a arte parece ser algo novo em meio às iniciativas de inclusão social, mas não é. Para Bia , existe um perigo escondido na caridade.A população carente precisa entender que tem direitos a educação e a moradia. “ Um jovem vem para a Escola Picolino e não se preocupa em aprender as noções de conhecimentos gerais que ensinamos. Infelizmente a televisão só divulga o lado financeiro da vida no Circo.A batalha dos ensaios e o conhecimento da sua cultura, não é explorado nas novelas e jornais”, completa Bia.

Dal Gallo verificou em sua pesquisa que, desde o começo, a valorização da diversidade cultural e a utilização da cultura popular são importantes métodos para dialogar com os alunos atendidos pela Ong – Escola . A proposta da Escola Picolino de associar o processo pedagógico que envolve crianças de 05 anos à jovens de 20 anos das camadas populares, fez com o projeto de pesquisa levasse o título : “ O Novo Circo Baiano .Arte,Circo e Educação na Bahia” . O projeto de pesquisa tem como intenção fazer com que os alunos desenvolvam um senso crítico através da cultura popular e possa interpretar de maneira melhor o contexto no qual estão inseridos. “Os alunos interagem mais profundamente com o ambiente da comunidade e terminam se transformando agentes multiplicadores da ação desenvolvida na Escola Picolino”, defende Márcia Nunes que é coordenadora pedagógica da Ong-Escola.

A necessidade de uma pesquisa de campo na biografia sobre o Circo, levou para a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia uma colaboração significativa para acervo bibliográfico. O pesquisador reclama que, antes de seu projeto de pesquisa, não havia registros na literatura acadêmica do local sobre o circo e , em especial , sobre a estruturação do circo social na Bahia .

Viviane Maior, atriz de circo, fala que a utilização dos métodos pedagógicos utilizados na Escola Picolino, influi de maneira forte e radical na dramaturgia dos espetáculos “ A criança absorve valores de cidadania e educação assistindo e participando do espetáculo” , afirma Viviane . Utilizando a base teórica da Escola de Performance , a pedagoga Luciana Damasceno não acredita que somente a filantropia pode reestruturar a situação de risco dos jovens em exclusão social.Luciana é também pesquisadora e critica o governo em “se acomodar” em seu gabinete e tentar usar a história do circo somente como ferramenta de marketing de inclusão social na Bahia.

“A expressão artística e de entretenimento ligados às ruas tem uma estrutura estética de marketing grosseira. A questão do Estado está em administrar com mais eficiência a pobreza e não apropriar - se como seu trabalho feito pelas Ongs,” critica a pedagoga.

O método Paula Freire junto à arte – educação complementa a investigação da atuação de inclusão social destes jovens no estudo feito por Dal Gallo. O espetáculo escolhido especificamente para a expansão do projeto é o “Cenas Cotidianas” apresentado pela Escola Picolino em 2004. Neste espetáculo, foram analisadas as relações e diferenças entre o circo social, o novo circo e o circo tradicional com suas peculiaridades do espetáculo social como gênero único. Luís Silva, 16 anos, é aluno da Escola Picolino e diz que pode sonhar com um futuro melhor para ele e para sua mãe, Glória Silva. “ É bom saber que enquanto eu lavo roupa de ganho , meu filho estuda e pratica esporte aqui nessa escola. Os governantes deveriam ajudar nossas crianças e não esperar que os estrangeiros coloquem o dinheiro aqui”, afirma Glória.

Apontando os valores e as metas que se propõe alcançar através da transformação destas crianças e adolescentes, o pesquisador descreveu que atualmente no Brasil existem dois tipos de escolas: as escolas profissionais e as escolas e projetos de circo social. A campanha da Escola Picolino inserido ao mercado cultural permitiu também aprofundar a análise das disciplinas e às técnicas circenses. A prática de circo social não objetiva o espetáculo como acontece no circo, mas combinam finalidades de educação e de assistência social com valores populares. A busca pela cidadania é aliada a arte em um processo simples de interação para solucionar problemas enfrentados na sociedade em que os jovens estão inseridos .

sábado, 24 de novembro de 2007

“Erês do Museu” antecipa papel pedagógico do Muncab


por Patrícia Sousa


Cerca de 120 crianças de sete escolas públicas de Salvador visitaram as obras do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileiro (Muncab). A obras de construção é uma iniciativa da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro) que tem como objetivo estimular o ensino, a pesquisa e demais ações voltados à recuperação e preservação do patrimônio, da memória e da cultura afro-brasileira e tem inauguração prevista para o final de 2008. O local escolhido para a instalação do museu fica próximo a Rua Chile na Rua do Tesouro, em Salvador.O prédio fica localizado num local conhecido hoje como “cracolândia” e sua restauração tem como função retomar a revitalização do próprio centro histórico e melhorar a qualidade de vida da população que vive nessa região.
O Projeto “Erês do Museu” tem como objetivo alcançar crianças através de seminários e oficinas sobre a sua própria história cultural. A intenção é que estes jovens vivenciem todas as etapas da construção do museu de cultura e arte. As atividades foram divididas em três etapas que foram realizadas a partir de outubro de 2007, na Amafro localizada na Praça da Sé em Salvador. “Reunir representantes de diversos segmentos da história e cultura negras, é a nossa intenção para ampliar o conceito e o funcionamento do Muncab”, afirma José Carlos Capinan, presidente da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro), entidade responsável pela execução do projeto de implantação do museu.
Os cuidados com as atividades vão da escolha dos monitores e palestrantes até a seleção das instituições de ensino. Os inscritos têm entre 12 e 14 anos e estão matriculados regularmente nas instituições de ensino convidadas para as oficinas interativas realizadas no Conselho de Educação e Cultura (CEC) no Campo Grande. A intenção do projeto é que o Muncab se torne um centro de referência, fazendo com que pesquisadores e alunos tenham mais informação sobre a nossa própria matriz cultural.
Jaime Sodré, supervisor cultural das atividades, acompanhou de perto a exibição de um vídeo durante o seminário preparatório para monitores e convidados. “A intenção deste seminário preparatório aqui na Amafro é mostrar para os monitores a função do projeto” enfatiza o supervisor.

Oficinas interativas fazem parte do projeto

O Conselho de Educação e Cultura (CEC) foi o local escolhido para as oficinas interativas no final do mês de outubro. As crianças passaram a semana aprendendo artes plásticas, dança, história, tradição oral, museologia, teatro. As instituições foram escolhidas com base no tipo de trabalho social que seus coordenadores desenvolvem na cidade, assegura Nivalda Costa, diretora pedagógica do projeto. As atividades foram programadas em dois turnos para que nenhum jovem ou criança ficasse de fora. “O transporte das crianças foi feito com a colaboração da Câmara dos Vereadores de Salvador e também contribuições particulares,” afirma a assistente de coordenação pedagógica do projeto Alyne Oliveira.
Segundo a historiadora e phd em antropologia Vanda Sá, o projeto tem como base discutir o conteúdo que é lecionado nas instituições sócio educativas da Bahia e incorporar novas ações de ensino na grade escolar destas crianças e jovens. O Muncab irá trabalhar com a diversidade, a visão que cada um tem, o que as pessoas desejam ver no museu e discutir até sobre a história afro – brasileira é exposta atualmente.
As oficinas oferecidas servem para pensar que o museu não será só uma coisa de acervo, mas de linguagens visuais como cinema, fotografia, interação com linguagens novas.O patrocínio para a realização das atividades foram dados pela Fundação Pierre Verger, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fundo de Cultura, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda.
Edileuza Silva, gerente administrativa do “Erês do Museu”, fala que houve uma preocupação na escolha das instituições participantes pelo fato de dar prioridade aos jovens de baixa renda afrodescendentes. A cada atividade promovida nas oficinas, às crianças produziam objetos de arte, redações escritas com base nas aulas dos monitores e ensaiavam uma peça de teatro para ser apresentada no final da oficina. Para Edileuza Silva é importante a participação das instituições educativas de Salvador para que haja debates sobre a cultura afro-brasileira

Certificado de “Amigos do Muncab” é entregue na sede do Ilê Ayê


Erê significa criança em iorubá e todo o projeto foi voltado para as crianças das instituições educativas de Salvador. Antônio Carlos dos Santos Vovô,presidente do Ilê Ayê, faz parte do conselho consultivo da Amafro e cedeu o espaço para a finalização do Projeto. O material confeccionado pelos jovens e crianças nas oficinas interativas será levado para uma ala reservada no Muncab. “A Amafro já organiza outra licitação para a adaptação do espaço interno do prédio ao funcionamento do Muncab”,confirma Capinam. O objetivo da diretora pedagógica Nivalda Costa é a de que cada aluno veja a sua produção cultural exposta no museu. Os jovens, ao final das oficinas, visitaram as obras do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira para ter um contato maior com o que eles aprenderam no CEC.
O encerramento contou com a apresentação cênica “Os Erês do Museu”, na sede do bloco Ilê Ayê no final do mês de outubro. A banda Erê do Ilê Ayê participou da confraternização para convidados, monitores, os jovens do projeto, seus pais e coordenadores das instituições educativas integrantes. Capinam entregou aos jovens uma carteirinha de “Amigos do Museu Nacional Afro-Brasileira”. “O Muncab lança a semente da ‘Árvore da Memória’, símbolo de uma nova atitude de reconstrução diante do que a ‘Árvore do Esquecimento’ desconstruiu, recuperando assim a importância da contribuição da matriz afro - brasileira”, finaliza Capinam. A entrada no museu ,quando inaugurado,será franca para determinados grupos sociais, escolas públicas e comunitárias. Outra forma de manter o Muncab, segundo o próprio presidente da Amafro é a venda de réplicas e de camisas desenvolvendo assim um shopping cultural com convênios com entidades de educação, que também são formas de sustentação para o museu.



sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Ética no processo de interpretação - João Cardoso de Castro


por Patrícia Sousa

A etimologia das palavras ética e moral traduzem um pouco das dualidades de conceitos e interpretações dessas palavras para nós atualmente. Logo, ética vem do grego ethos que significa modo de ser, caráter, ou metaforicamente a morada humana. Moral vem do latim mos, mores e significam costume ou costumes, tradições. Sendo assim estas duas palavras são de fundamental importância para a vida em sociedade como bem esclarece Boff ao se referir à ética como a morada da humanidade e à moral como o modo de se organizar a casa. Podem se ter muitas morais e uma ética mutável, mas cabe a ética garantir a moradia humana, mesmo que sob diferentes estilos ou morais, para que seja efetivamente habitável.
A dinâmica de vida de cada grupo humano ira gradativamente suprimir certas necessidades, manter outras, criar outras tantas. No entanto certas diretrizes contidas na moral e na lei poderão se tornar desnecessárias. Logo é importante que o grupo social refaça/repense suas diretrizes para que a moral e a lei não se tornem obsoletas ou ineficazes. Entenda se por moral e lei, como instrumentos da ética para a construção de uma sociedade melhor, haja vista, que os conceitos e verdades são relativos. Para que a ética explique, esclareça ou investigue a realidade social, elaborando conceitos.
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, é ciência de uma forma especifica de comportamento humano. Daí podermos falar de uma ética cientifica, mas não podemos falar o mesmo da moral. Pois a moral não é ciência e sim objeto da mesma. Então os atos conscientes e voluntários dos indivíduos que afetam outros indivíduos, determinados grupos sociais ou a sociedade em seu conjunto, são estudados pela ética como pertencentes à moral.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Música é tema de debate sobre bens de propriedade

Doutorado na UFBA discute efeitos da expansão do mp3 na sociedade
Por Patrícia Sousa


Com apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) , Messias Guimarães Bandeira apresentou os efeitos da expansão do mp3 em seu doutorado.A aprovação para o início da pesquisa foi dada em 1999 e promoveu discussões sobre as tecnologias de informação na produção musical e seus efeitos na indústria fonográfica, os artistas e o público consumidor de música popular. A função da pesquisa foi fazer uma avaliação do cenário da música pop no Brasil a partir da tecnologia de informação. A bússola utilizada na pesquisa foi a produção alternativa feita por artistas independentes e bandas “de garagem” sem se utilizar de um discurso “panfletário”. A escolha do objeto de estudo foi feita por Messias por fazer parte da sua realidade. Ele sempre participou de festas como Dj, fez participações administrativas em rádios alternativas e fanzines eletrônicos. A música popular brasileira foi o segmento que antecipou o cenário de expansão das tecnologias digitais. A reação do público em conhecer o seu ídolo através na internet se tornou freqüente. A relação entre o som e a tecnologia já tem mais de 100 anos. Há uma relação de êxito entre a música popular e as tecnologias de gravação e reprodução de música. Cds caros financiam uma divulgação cada vez mais dispendiosa, para vender artistas cada vez mais fabricados em todos os aspectos. As rádios recebem tanto dinheiro para promover e executar músicas de determinadas bandas que acaba não sobrando espaço para os novos e alternativos. À primeira vista, a compra “por atacado” poderia parecer mais vantajosa do que a de “varejo”. Porém, isso cancelaria a malandragem das gravadoras de colocar apenas uma ou duas músicas boas em cada álbum (especialmente coletâneas), obrigando a pessoa a pagar por conjuntos de 12 músicas quando, na verdade, só estava comprando uma ou duas de cada vez. Este ponto é colocado na pesquisa com “ expansão da tecnologia áudio visual”.O pesquisador aponta em sua análise que as gravadoras só entendem de logística , distribuições de cds, de marketing e de “filão de mercado”. Com o MP3, a unidade passou a ser a música, não o álbum. Uma banda com reconhecimento médio em sua cidade e que desse a sorte de ter uma música de sucesso, não precisaria ser agenciada por uma gravadora.Todo o processo de produção musical é feito digitalmente e com isso a distribuição do produto é mais barata. As gravadoras perderam a vantagem do “segredo do produto”. A produção musical em si , é tratada como mercadoria restrita as gravadoras e os contratos são apresentados por Messias com “termos desequilibrados” de acordo entre músico e gravadora.A pesquisa afirma que não há nada de ilegítimo em fazer este tipo de distribuição. A análise mostrou que a distribuição da música foi sendo propagada pela internet por causa da deficiência das gravadoras em “escoar” a sua produção musical . Somente 10% da produção mundial de música é divulgada pelas gravadoras. Por isso, toda a estratégia foi reformulada, algo como permitir que os amantes de música ouvissem as músicas com antecedência para então determinar onde concentrar os esforços de marketing. Muitos artistas viram na internet a possibilidade de lançar seus negócios no mercado de produção digital. Os resultados verificáveis da pesquisa apontaram que o argumento das gravadoras de que a gravação de músicas em estúdio digital gera a pirataria é mentira.A produção independente atingiu números exorbitantes e “descontrolou” as ações das grandes gravadoras. Outro resultado mostrado é que as pessoas que compram música na internet também aumentaram a compra de CD para conhecer melhor seus artistas.Para continuar o debate sobre a Audiosfera , Messias Guimarães , lançará seu livro cujo título leva o nome da sua tese “ Audiosfera, tecnologia de informação e da comunicação e a nova arquitetura da cadeia de produção musical ”. O livro é uma releitura da tese de doutorado com toques didáticos para a Rede Global da Música On-line .